Bom, mas isso é hoje e quando eu
era criança nem sabia o que era um notebook e vamos ao que interessa, isto é,
fazer meu irmão parar de me chamar de santinha do pau oco ou de Maria
adivinhona.
Pois bem o grande dia chegou.
Esperei todo mundo dormir inclusive meu irmão que deitado em sua cama roncava
que assobiava.
Pelas minhas contas deveria está no terceiro sono. Peguei uma
lata de óleo vazia e me enfiei debaixo da cama do meu irmão.
E o meu teatro era bem assim:
Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Jogue na
vaca! Buuuuuuuuuuuuuuuuuu! Eu sou a alma da santinha do pau oco e vim agradecer
pela vela! Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Nisso o meu irmão acordou
desesperado, cobriu-se de cabeça e tudo e abriu a goela a chorar e gritar por
mamãe.
Mamãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee,
acenda a luz pelo amor de Deus, tem um bicho debaixo da minha cama,
socorroooooooooooooooooooooo! Alguém me acuda!
E depressa saí me arrastando
devagar para a minha cama e coberta dos pés à cabeça fingia que dormia enquanto
meu pai com um pedaço de pau na mão e minha mãe acudiam meu irmão que estava
aos berros dizendo que uma alma estava debaixo da sua cama e enquanto meu pai
acudia meu irmão com um copo de açúcar a minha mãe foi ver no meu quarto se eu
estava dormindo e claro eu dormia e roncava me segurando para não dar boas
gargalhadas.
E meu irmão gritava feito um
louco, não sei como tive coragem pra fazer uma armação dessa natureza sabendo
que ele tinha verdadeiro pavor de alma penada.
Levantei, esfregando os olhos,
querendo saber o que estava acontecendo, aliás todo mundo da casa acordou pra
ver meu irmão todo michado na cama, pedindo um copo de garapa com açúcar e eu
bem que avisei e completei a cena dizendo que a alma também passou pela minha
cama puxou meu lençol, jogou no chão e saiu voando de telhado acima.
Mas meu irmão teimava em dizer
que a alma não voava que ela se arrastava pelo chão, só sei que todo mundo se
abaixou pra ver que embaixo da cama não existia nada e minha mãe tentava
acalmar o pirralho dizendo que foi um pesadelo.
Essa história durou mais de uma
semana lá em casa só sei que nunca mais ninguém me chamou de adivinhona, nem de
santinha do pau oco e quando cresci contei a história todinha.
Maria de Lourdes
Maria de Lourdes
