6 de janeiro de 2014

BICHO EMBAIXO DA CAMA


Imaginem se as crianças de hoje se preocupam com essas palhaçadas. Pelo menos as que eu conheço não largam do computador ou do celular, com muita insistência é que vão dormir, porque se pudessem ficariam jogando a noite inteira.
Bom, mas isso é hoje e quando eu era criança nem sabia o que era um notebook e vamos ao que interessa, isto é, fazer meu irmão parar de me chamar de santinha do pau oco ou de Maria adivinhona.
Pois bem o grande dia chegou. 
Esperei todo mundo dormir inclusive meu irmão que deitado em sua cama roncava que assobiava. 
Pelas minhas contas deveria está no terceiro sono. Peguei uma lata de óleo vazia e me enfiei debaixo da cama do meu irmão.
E o meu teatro era bem assim:
Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Jogue na vaca! Buuuuuuuuuuuuuuuuuu! Eu sou a alma da santinha do pau oco e vim agradecer pela vela! Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Nisso o meu irmão acordou desesperado, cobriu-se de cabeça e tudo e abriu a goela a chorar e gritar por mamãe.
Mamãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, acenda a luz pelo amor de Deus, tem um bicho debaixo da minha cama, socorroooooooooooooooooooooo! Alguém me acuda! 
E depressa saí me arrastando devagar para a minha cama e coberta dos pés à cabeça fingia que dormia enquanto meu pai com um pedaço de pau na mão e minha mãe acudiam meu irmão que estava aos berros dizendo que uma alma estava debaixo da sua cama e enquanto meu pai acudia meu irmão com um copo de açúcar a minha mãe foi ver no meu quarto se eu estava dormindo e claro eu dormia e roncava me segurando para não dar boas gargalhadas.
E meu irmão gritava feito um louco, não sei como tive coragem pra fazer uma armação dessa natureza sabendo que ele tinha verdadeiro pavor de alma penada.
Levantei, esfregando os olhos, querendo saber o que estava acontecendo, aliás todo mundo da casa acordou pra ver meu irmão todo michado na cama, pedindo um copo de garapa com açúcar e eu bem que avisei e completei a cena dizendo que a alma também passou pela minha cama puxou meu lençol, jogou no chão e saiu voando de telhado acima.
Mas meu irmão teimava em dizer que a alma não voava que ela se arrastava pelo chão, só sei que todo mundo se abaixou pra ver que embaixo da cama não existia nada e minha mãe tentava acalmar o pirralho dizendo que foi um pesadelo.

Essa história durou mais de uma semana lá em casa só sei que nunca mais ninguém me chamou de adivinhona, nem de santinha do pau oco e quando cresci contei a história todinha.

Maria de Lourdes

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...