30 de agosto de 2010

HISTÓRIAS DA CHICA


A Chica não só costurava, A chica gostava muito de contar histórias. E uma das coisas que me prendia a casa da Chica era quando ela contava aquelas histórias para mim.
Sentava bem em frente a sua máquina e enquanto costurava me contava as histórias mais engraçadas e absurdas, que se pode imaginar.
E eu ouvia de boca aberta, ciente de que tudo aquilo era verdade. E aquelas cenas da história contada pela Chica ficavam muitas vezes gravadas na minha mente.
Lembro de uma, que era um casal que morava na roça. O marido resolveu criar muitos porcos e muitas galinhas para dar uma festa surpresa para a esposa que estava para dar a luz em janeiro.
- marido, prá que tantos porcos e tantas galinhas? Perguntava ela.
Ele respondia. É pra seu janeiro mulher.
Certo dia, o marido precisou viajar deixando a mulher, cuidando da casa e dos animais, de repente ela vê passar um homem na estrada, como ninguém andava por aquelas estradas ela deduziu que fosse seu janeiro que vinha pegar os porcos e as galinhas. E chamou!
Moço! Venha até aqui! O senhor se chama seu janeiro? O desconhecido ficou calado sem entender nada! E como não respondeu, a mulher adiantou. É que meu marido está lhe esperando pra lhe entregar uma encomenda.
-Olhe tudo isso é para o senhor levar.
O espertalhão muito que depressa pegou todos os porcos e todas as galinhas e foi embora.
No outro dia, chega o marido e encontra a mulher toda feliz!
Marido! Acabou aquela nossa trabalheira de dar comida pros bichos,
Entreguei tudo pro seu janeiro. O marido chegando no quintal e vendo que não sobrou um porquinho e nem sequer uma galinha gritou!
Mulher burra! Seu janeiro é o mês do nascimento do neném! Sua burra!
Pois é! Era uma das histórias da Chica.
Não sei se era estória de trancoso, ou se era do estilo da estória do blog. Só sei que era bem assim!

28 de agosto de 2010

CADÊ MEU BLOG II


Continuando na peleja de cadê o meu blog ?
E cadê?
Cadê o blog?
Ontem mesmo sonhei que um vírus invadia meu blog e pegava a chica e a chata pelos cabelos. 
Em seguida escrevia um bilhete e deixava em cima do baú da Chica:
-Deixe de ser besta e vá plantar coquinho no deserto, estão tomando meu tempo com tanta besteira. 
Procurou umas senhas no bau e não encontrando nada se foi. 
Irritado, vermelho e com os cabelos arrepiados colocou a Chata e a Chica de cabeça prá baixo.
E nesse sonho de louco, saiu o blog pedindo socorro de estrada a fora quando encontrou um guarda na rua. Assustou o guarda, mas como ele estava ali para cumprir o seu dever, colocou o apito na boca, apitou e depois gritou:
Esteje preso! BLOGUINHO FULEIRO!
Mas o blog lembrou de uma frase dita por Luis Gonzaga!
NÃO TEJO! e ainda repetiu duas vezes: NÃO TEJO! NÃO TEJO!
E SAIU EM DISPARADA, DE ESTRADA A FORA FEITO LOUCO PROCURANDO UM LUGARZINHO SÓ, NA INTERNET.
Já cansado e com fome, ISSO NO SONHO: sentou-se em um bar, quando alguém apareceu com uma garrafa e um copo: de graça. TOME: desafogue aí o coração dos quilos de magoa!
O blog, deu um pulo, arregaçou o cabeçalho e gritou:
-Tais doido sujeito! Sou lá blog sujo pra encher a cara? Me respeite e tenha modos comigo, não lhe dei essa ousadia!
Nisso, acordei! Não foi sonho! Foi um pesadelo! Peguei o blog, dei um banho, coloquei uns gatinhos, umas florzinhas e lhe disse carinhosamente!

Tenha paciência meu filho, que um dia você vence! Hoje você pode ser um bloguinhozinho velho fuleiro, mas, e o amanhã? O a manhã só a Deus pertence:
Enquanto isso vá brincando de atirei o pau no gato, de sabiá lá na gaiola. Pois você é muito novo pra ficar pensando besteira. Aceite um gute, gute e
DÊ TEMPO AO TEMPO!

25 de agosto de 2010

CHATA? DE NOVO NÃO!


Retornando a casa da chica e curiosa para saber da história do dente foi que fui entrando de porta adentro.
Já havia uma semana que não aparecia por lá. Estava de castigo por causa da dona cegonha, que não encontrei em lugar nenhum, nem vestígios da sua presença em cima da casa, uma pena sequer para satisfazer as minhas indagações!
E depois lá em casa tinha um bebê, todo mundo em volta daquele bebezinho, e eu agora tinha mais tempo prá tudo, inclusive para mexer em tudo procurando não sei o quê!
A Chica estava lá, como sempre, feia pra peste, faltando dois dentes, e bem na frente! Com muito custo disfarcei a minha vontade de rir!
-Chica! Você tá com a boca murcha!
-Você vai usar dentadura?
-Que dia você vai colocar esses dentes?
-Pois você está esquisita!
-Quando vai falar fica assoprando por que está sem os dentes!
-Você nunca arrancou um dente menina?
-Eu já! Só que não fiquei feia igual a você!
-Olhe aqui na minha boca se está faltando algum dente!
E escancarava a boca inteirinha para mostrar meus lindos dentinhos!
Bom! Prá Chica eu podia perguntar sem medo!
-Chica, quando a dona cegonha vem trazer o seu neném, você vê ela?
-Não. Porque nessa hora estou dormindo!
E para atrapalhar o meu interrogatório chegavam as freguesas, cada uma mais alvoroçada que a outra para provar os vestidos!
Enquanto isso! Era a mesma história de sempre:
Uma fofocaiada que só mesmo Deus prá ter misericórdia daquela falação sem fim e eu ficava tiririca!
E era um tal de mostrar o esmalte, que mandou fazer a unha não sei onde, que o corte de cabelo da moda agora era igual o da atriz da novela das oito!
-Chica, falava uma delas, vou comprar um tecido que chegou na loja do S. Lourenço, prá fazer igualzinho ao de fulana!
O meu ouvido já não agüentava tanta besteira junta! Em matéria de roupas elas eram as mais bem informadas, e os comerciantes que não eram nada bobos sabiam de tudo isso.
Era um fala, fala: que me irritei!
-E gritei!
-A Chica tá doente, com dor de cabeça!
Essa minha indignação não prestou! Pois saiu uma lá, com quatro pedras na mão pra me pegar! E gritando!
-Menina chata! Não sei como a Chica agüenta essa guria chata!
Quem quisesse me ver maluquinha me chamasse de chata!
Pensa que chorei?
Pois não chorei uma gota só de lágrima!
- Chata é você, sua fofoqueira, mexeriqueira, faladeira da vida alheia!
-Chata é você, sua chata de galocha, feia, desengonçada, mulher velha mal feita de corpo, das pernas fina, barriguda.
Os vestidos não ficam bem em você, mulher velha cheia de pelancas,vou falar pras freguesas da chica tudo o que você fala delas, vou falar que chamou a Joana de perna torta, vou falar que chamou não sei quem de feia e mal vestida...
E não falei mais coisa porque a Chica não deixou!
Enfim foi uma ladainha de mais de metro!
Que mais pareceu um purgante!
Aquelas fofoqueiras nunca mais falaram mal dos outros na minha presença!
E a Chica para me defender, não tinha como ninguém!
Deixe ela, pois é meu anjo da guarda!

23 de agosto de 2010

CADÊ A DONA CEGONHA?



É assim quando somos crianças. Cheios de invenções. Não paramos um segundo, todo instante é uma novidade, não sei onde encontramos tanta imaginação! Pois naquele tempo, que não é tanto tempo assim claro!
Só um meio tempão! Naquela época não existiam hospitais na cidade, na minha cidadezinha do interior, bem explicado! Hoje não, é uma cidade bem desenvolvida!
Mas, antigamente as mulheres tinham os seus partos em casa. Tudo no maior silêncio e respeito possível! E eu naquela época vivia com uma pulga atrás da orelha a respeito da tal cegonha!
Sentados na sala a espera do primeiro: ué, ué, ué do irmãozinho que estava a caminho, a minha preocupação maior era tentar descobrir por onde entrou a dona cegonha, porque por mais que olhasse prá um lado e prá outro, pra cima e prá baixo não conseguia entender essa história que todo mundo insistia em afirmar categóricamente e eu queria saber a qualquer custo por onde entrou que eu não vi!
E foi num dia desses que a curiosidade falou mais alto que qualquer coisa neste mundo, que coloquei o meu irmão menor para subir em um pé de mamona que tinha nos fundos da casa, cujos galhos chegavam quase no telhado, falei que lá tinha uma bola bem no alto da casa, que fosse lá, procurar um buraco e dentro desse buraco tinha uma bola bem grande!
E o meu irmão, mais curioso do que eu, a procura da tal de bola, foi subindo, subindo, subindo que é com muita dor no coração que me lembro do quanto padeci naquele dia.
Lá não tinha buraco nenhum, não tinha bola, não tinha nada! E para descer o meu irmão de cima da casa é que foram elas.
Não tinha como o coitado descer, de tão alto que estava. Tive que pedir ajuda ao meu pai, que mandou alguém subir em cima da casa para retirar o meu irmão com 05 anos de idade!
Levei umas boas palmadas, e bem feito!

19 de agosto de 2010

PARA COM TANTA PERGUNTA





Pois esta parecia ser a minha sina!
Pergunta daqui, pergunta dacolá. Por que será que uma pessoinha daquele tamanho pergunta tanto?
Pois sentava eu, em uma cadeirinha, bem na calçada! Não se esqueça que morava numa cidadezinha do interior onde até hoje as pessoas têm o direito de sentar nas calçadas, e conversar com seus visinhos! Pois bem nestes costumes estava eu ensaiando muito cedo.
Sentada em uma cadeirinha, que a minha mãe comprou na feira e me deu de presente, começava o meu interrogatório com todas as pessoas que passavam:
Ei vem cá!
Como é seu nome?
Você vai prá onde?
Onde fica?
Vai fazer o que lá?
Você é filha de quem?
Como é o nome da sua mãe?
Como é o nome de seu pai?
Você tem irmã?
Como é o nome dela?
E olha que tinha gente que respondia a todo esse interrogatório, sem pestanejar. E o mais engraçado era a minha voz de comando, chamava e a pessoa vinha.
E não contente com tanta pergunta, na cozinha continuava:
Mamãe como é meu nome?
Mamãe quando eu nasci?
Mamãe eu nasci de noite ou de dia?
Chega! Chega! Por hoje!
Era chata! O pinguinho de gente era chata! chata de doer nos ouvidos! Menininha chata aquela hem!

17 de agosto de 2010

QUEM É CHATA? EU?



Estava muito ansiosa para chegar em casa e falar para a minha mãe do estado da Chica, com dor de dente!
É sempre assim, ficamos tão envolvidos com o trabalho, ou com a nossa casa que nos esquecemos da nossa saúde. E no caso da Chica, não foi ao dentista e agora estava morrendo de dor de dente.
Coitadinha da Chica, como poderia costurar agora? Com aquelas mulheres no seu pé dia e noite, querendo suas roupas? 
Não me enganei, pois a casa da Chica virou de perna pro ar! E como eram festas e mais festas, as roupas novas eram o foco do espetáculo. 
Na verdade, na minha opinião não eram as festas que eram importantes, mas os modelos novos que seriam exibidos e a vida da Chica era agitada demais com tudo isto e eu adorava ver tudo aquilo de perto. Não existia filme melhor prá mim, até esquecia do mundo, vendo aquele pessoal brigando por uma vaga para fazer dois ou três vestidos novos. A Chica sequer tinha o direito de ter uma dor de dente!
Se fosse possível elas arrancavam o dente da Chica ali mesmo e acho que se não doesse muito ela bem que deixaria para não ter que desgrudar daquela máquina
- Quando eu crescer, não vou ser igual a essas mulheres que só pensam em vestidos!
O dente não desinchou. Todo mundo que via se assustava, pois nunca vi um dente deformar o rosto de uma pessoa daquela maneira.
Foi ao dentista, fez um curativo e voltou pra casa, com um pano amarrado na cabeça. Acho que para ninguém ver a sua cara que estava feia demais! Pensei!
Enquanto isso queria ajudar minha amiga e não sabia como! Sentei na área pessoal da Chica que era a sua cadeira, e quando estava colocando o pé no pedal da máquina, alguém foi chegando:
Era a minha mãe, que veio atrás de mim.
- Saia daí agora sua intrometida!
- Você não tem o que fazer em casa?
- Sua teimosa, desobediente.
- Sua Chata, menina chata, vai prá casa agora!
- Chata não!
Não me chame de Chata! Chata é a senhora e a Chica feia! 
- As duas são duas chatas.
- E sai correndo feito uma louca chorando, para derramar todo o meu pranto aos pés do meu pai, que não quis saber da minha estória e ainda por cima me chama de chata também!
Vocês não sabem chamar outro nome não? Só sabem dizer chata, ninguém sabe ler nesta casa? Meu pai ainda por cima respondeu:
Já prá casa! Não é Chata não!
É Maria Chata!
- Quis morrer de desgosto!
Que tempo bons aqueles! Que me serviram de lições para toda a minha vida!

12 de agosto de 2010

CADÊ MEU BLOG?

cadê meu blog


Pois é!
Voltando do meu passado repleto de O QUE É O QUE É, e retornando ao presente resolvi fazer uma busca para ver o meu blog na Internet.
A gente é assim, pensa que descobriu a América, só porque fez um bloguito, ou melhor, um bloguinho de noves fora nada! 
Coitadinho! Perdido nas multidões dos BLOGS, cheios de conteúdo, sem fotos sem nada, nada, nada! 
Pensei: pra que quero essa imitação de Blog, sem futuro? 
Pra que que serve? 
Qual é a graça?
Bloguinhozinho velho e fuleiro! 
Não tem um acesso.
01 sequer para me enganar!
Viro e reviro a Internet do avesso, buscando o que? NADA, NADA e + NADA!
Só salva mesmo aqueles dois bonecos, grudado um no outro, que me faz lembrar: EU DE LACINHO VERMELHO NA CABEÇA GRUDADA NA CHICA, TORRANDO A PACIÊNCIA DA CHICA. A CHICA E A CHATA. Que não vai sair dali nem que a vaca tussa! Ou vá pro brejo!


Pra começo de conversa, já começou tudo errado, pois ao escrever o título do blog, não sei como aconteceu, o dedo escorregou e o E e o A sumiram do título, pois o nome mesmo seria BLOG DA CHICA E A CHATA!
Sei que posso mudar, mas vou mexer?
Pra que? 
Pra desaparecer de vez? 
Cadê o coitado do blog? 
Alguém viu? 
Alguém conhece? 
Alguém já ouviu falar? 
Não dizem que noticia ruim voa?
Então cadê? 
E procura daqui e procura da colá e nada, só vi uma coisa! CHICA E CHICAS prá tudo quanto é lado!
Pensei comigo! Êpa ai! 
Essa CHICA não é a minha CHICA! Que estória é essa de tanta CHICA!
Vi mais ou menos umas duzentas mil CHICAS espalhadas pela Internet, de que jeito vou achar a minha? Eu que pensei que só haviam duas chicas no mundo:
A CHICA DA SILVA, que todo mundo conhece e a minha CHICA, que se chamava FRANCISCA, mas que nunca me explicou porque era chamada de CHICA.
Deu vontade de seguir todas essas CHICAS, mas deixei pra lá, voltei para procurar o meu BLOG e nada! 
E fui seguindo! seguindo! 
Olhando CHICA dali e mais chicas da colá me deparei com um macaquinho, bonitinho pendurado numa árvore, parei! 
Olhei! Achei lindo, lindo, lindo! 
Olhei pra um lado e prá outro e pra ninguém vê fiz um gute, gute no macaquinho e retornei ao meu destrinchamento de internet procurando meu blog!
E digita de um jeito e digita de outro, de frente pra traz, de traz pra frente e nada! Assim não tem escritor que aguente! Estou vendo a hora sumir também do meu próprio computador!
Mas pensando bem! Eu adoro minha imitação de blog! Minha obra prima! Pois eu mesma que fiz e escrevo e eu mesma dou boas risadas! Vi um seguidor lá num cantinho escondido e era meu marido! Pensei comigo, procurando o que no meu blog e deletei.
Um só acesso, um só seguidor, também não quero!
E THUM! DELETEI!

11 de agosto de 2010

ME DEIXE EM PAZ!


Desconfiada e com a cara de amélia, cheguei a casa da minha amiga do coração.
Fui entrando assim de supetão, sem pensar muito e disposta a nunca mais pensar em ensinar a Chica o be-a-bá da costura, que no caso ela dominava muito bem!

Nem bem abri a porta, e minha curiosidade sem limites, salta da minha boca sem que eu tenha tempo para conter! Pois a chica estava lá sentada com o rosto todo inchado, a pele chegava a brilhar e se tivesse se olhado no espelho não estaria ali, de tão feia que estava!

Meu Deus Chica! Você caiu?
Ou você pegou uma briga e bateram na sua cara?
Não posso ver seu olho! E agora? Como é que você vai costurar?

Chica o que foi isso?
A Chica sequer podia falar de tanta dor de dente coitada, e ainda por cima tinha que aturar aquela chata no seu pé. Era demais para qualquer ser vivente na terra suportar.

- Deixa de ser chata menina! pelo amor de Deus! Não vê que estou morrendo de dor?
Chata é você, sua Chica Chata! Já estava tomando o rumo de volta pra casa quando me pediu pra ir até a cozinha e pegar um copo com água para tomar um comprimido.
Daí procurei não falar muito. Peguei uma tesourinha e fui cortar as linhas dos vestidos. Era uma forma de ajudar a minha amiga que estava doente.
Doente e feia com aquela cara inchada, assim eu pensava!
- Chica! Que dia você vai arrancar o dente?
- Chica! Onde é que que fica o dente?
- Chica você vai arrancar o dente e ficar banguela?
-Chica como é que você vai mastigar sem o dente?
A Chica simplesmente resolveu deitar, acho que estava sentido dor de dente de pontadas.
Ia perguntar, mas ela deu um gemido e saiu para o seu quarto!
E eu voltei pra minha casa pensando!
Nossa! A Chica vai ficar feia , sem dente!

8 de agosto de 2010

CALMA. PRÁ ONDE VAIS?





Meu post de hoje nada tem a ver com a Chica. Com a Chata pode ser! Vamos dar uma escapadinha, sair do passado para retornar ao meu presente. E a Chata que eu conheço muito bem está num stress que só vendo!
Resolvi bater perna!
Sair do stress!
Era madrugada do sábado estava fazendo a mala de viagem, e assistindo a Record. Quem visse aquela mala diria que ficaríamos um mês fora. Mas na realidade não passavam de nada mais nada menos que três dias. Se possível fosse, a Chata ficaria um mês no paraíso. Mas os compromissos a querem de volta. Não tem como ser diferente!
De posse da mala e cuia, e lá vamos nós! Pé na estrada!
Chô stress!
Chô tiririca!
Chô satambrico!
Prá que me queres aqui?
Queres me engolir vivinha?
Ou esmagada?
Não vais conseguir, pois já sei o meu destino!
Parto em busca da essência da minha essência!
A NATUREZA! E assim fiz!
AGUAS DE SÃO PEDRO! Não existe lugar igual aquele para me devolver a serenidade, a paz e para colocar os miolos no lugar!
Dizem que a paz está dentro da gente! Não é hora para questionar essas coisas
A Minha pelo menos está lá, no meio dos passarinhos, sem poluição, tomando banho com água sulforosa. Quando retorno as pessoas nem me reconhecem!
Será que é ela mesma? (a chata)? Ou será a irmã dela?
A natureza, sábia e poderosa possui os recursos necessários para aliviar, acalmar e curar o nosso corpo e a nossa alma. E naquele pedaço de CEU, existe tudo isto! Tempos atrás fui só comprovar a sugestão de uma amiga. E realmente, prá lá eu vou sem pensar duas vezes!
No meu próximo post, vou falar das maravilhas de Águas de São Pedro. O pedacinho do Céu que conheci e faço questão de indicar, pelo bem que proporciona a todas as pessoas que vão até lá

3 de agosto de 2010

SOCORRO. ALGUEM ME ACUDA


Era um dia de sábado! Dia de feira na minha cidadezinha do interior.

Acordei com o firme propósito de ir até a casa da Chica e fazer as pazes. Não sei como faria para chegar até lá com a minha cara de Amélia.

Queria levar um presente pra Chica, mas não sei o que poderia levar, pensei em levar um caderno novo que tinha na estante, mas depois pensava:

Prá que Chica quer um caderno? Já sei.

Prá anotar as medidas das clientes, mas a minha mãe não permitiu, pois ali era meu material da escola!
Olhava pra um lado e prá outro e não sabia o que levar prá Chica. Pedi prá minha mãe um presente prá Chica e ela me respondeu que não precisava, pois a Chica não gostava de presente!

- Nunca ouvi falar que uma pessoa não goste de presente!
- Quem falou isto pra senhora?
E eu não tinha sossego! 
Como faria prá chegar à casa da Chica? Então lembrei que a Chica gostava muito de doce. Fui até o armário e peguei as mariolas do meu irmão enfiei no bolso do meu macacão novo, confeccionado pela Chica e perna pra que te quero em direção a casa da Chica fazer as pazes.

A correria foi tão grande com aquelas mariolas dentro do bolso, que calcei o tênis sem as meias e parti pro meu destino.
As ruas cheias de gente, por causa da feira, e eu num passo só, rumo à casa da Chica. 
Quando de repente, sinto algo dentro do meu tênis. Mas, fui andando e aquele negocio tomando conta do meu pé.
De repente, estacionei igual uma pedra, pois na minha mente deveria existir ali uma serpente tamanho do mundo, enrolada no meu dedo.
O terror tomou conta de mim naquela hora, e no mesmo instante comecei a gritar feito louca no meio da rua, e como a feira estava cheia de gente, só vi mesmo todo mundo olhando pra mim querendo saber o que era!
Já sabe como o povo é curioso. Principalmente na feira. E aquela feira era famosa, todo mundo dar noticia da vida de todo mundo.
Comadre vai e comadre vem e os cochichados era mesmo o jornal da vida alheia que corria solto sem dó e nem piedade!
E eu com meu tenis e meu pé,  saí em disparada gritando, minha nossa senhora me acuda! E uma multidão de gente atrás de mim querendo saber do que se tratava.
- Aconteceu alguma coisa com a filha de SEU... (nome do meu pai)
E aquela jibóia enroladas no meu dedo, se eu não chegasse logo em casa por certo iria me engolir!
Meu pai parou de trabalhar, seus funcionários também, porque o alvoroço foi grande! Aquele mundaréu de gente atrás de mim sem entender nada, por pouco minha mãe não enfartou!
Até a Chica apareceu para ver o que era, e meu pai tirando o meu tênis, viu que ali tinha um filhotinho de barata, do tamanho de um grão de arroz, mortinha coitada, com as pernas pra cima.
Só ouvi as vozes resmungando! Se essa menina fosse minha filha, dava-lhe uma surra! Isso é coisa que se faça? 
Acho que aquele povo todo preferia me ver engolida pela tal serpente da minha imaginação.
Meu pai ficou bravo, minha mãe também, eram dedos apontados na minha bela face branquinha e vermelha da cor de pimenta, tamanho foi o susto ao imaginar que meu pé estava sendo degolado por uma jiboia. E ainda por cima as mariolas do meu irmão caíram do meu bolso e foi uma tarde pra não se esquecer tão cedo!
Mas a Chica estava por ali e não deixou ninguém brigar muito comigo, inclusive meu irmão que tinha um ciúme danado das suas mariolas, terminou entrando na confusão porque estava proibido de comer tanto doce.
E assim fiz as pazes com a Chica, naquele dia não fui a sua casa, estava esgotada com os acontecimentos, mas na segunda feira eu iria
E fui mesmo!

2 de agosto de 2010

A COSTUREIRA É CHICA



Pra ser sincera, três dias é uma expressão porque na realidade foram mais dias.
E assim, de tanto insistir, comecei a frequentar também uma escola de corte e costura. Foi um corre corre da minha mãe para providenciar a matricula e comprar os materiais para frequentar as aulas. 
E lá ia eu, na companhia da minha mãe é claro, com uma sacola enorme, contendo diversos tipos de réguas, tesoura, papel, fita métrica, e etc. 
A minha primeira aula foi uma maravilha, a instrutora me ensinava como retirar as medidas e até aí tudo bem. 
Pra mim foi moleza. Sabia de cor todo aquele ritual. Ombro, busto, cintura, quadril e etc. Até ai estava aprovando o meu curso, pois aprendi com a Chica, de tanto observá-la a costurar roupas.
Nos dias seguintes era um tal de tirar medidas, medidas e mais medidas e já estava aprovada para a próxima etapa. 
Colocar as medidas no papel e foi aí que na minha mente aquela professora não sabia de nada. Pois na historia das minhas observações nunca havia visto a Chica usar papel para fazer um vestido, ou seja, lá o que fosse! 
E já fui avisando: a Chica não faz roupas assim, você está me ensinando errado, e em tudo eu colocava o nome da Chica. A minha mãe teve que ir até a escola, senão nem sei o que seria! 
Depois de muita conversa, conversa de um e de outro, foi que aceitei aquelas explicações e até comprovei que estavam certas. 
Minha preocupação agora era ir até a casa da Chica para avisá-la de que ela estava fazendo tudo errado. Essa determinação me incentivava a aprender o mais rápido possível!
E assim as coisas aconteceram. Precisava dar um alerta a Chica, que iria ensinar pra ela tudo que aprendi, com o maior prazer, é claro. 
- Chica, a minha mãe me colocou na escola de corte e costura. 
- Chica, você foi a qual escola? 
- Não fui à escola nenhuma, respondeu ela. 
- Chica, a minha professora falou que não é assim que se faz roupas! 
- Chica, porque você não traça o molde da roupa no papel? 
A Chica não respondeu, lembro muito bem! 
- Chica, você me deixa ensinar a você como que a gente traça o molde no papel para depois cortar o tecido? 
- Era só o que me faltava agora! 
- Costuro a mais de vinte anos e agora vou ter que parar para aprender.
A Chica ficou meio brava com a minha insistência e eu mais nervosa ainda porque ela não queria aprender. 
- Nunca mais venho a sua casa, sua mal agradecida e vou falar prá minha mãe para não trazer mais roupas para você fazer! 
- A Chica foi até a cozinha tomar o seu café e fumar o seu cigarro velho! Aproveitei e fui até o baú me certificar se ainda continuava fechado a chaves. 
Estava sim, mas agora ele não me enganava mais! 
Dei um chute naquele baú velho e fui embora!
Em casa contei tudo prá minha mãe, pois me achava a dona da razão. 
Não aceitei os argumentos e também decidi que não queria ir prá escola de costura nenhuma. Que eu iria costurar igual a Chica, sem papel porque era mais fácil! 
E falei pra minha mãe que não queria ser costureira coisa nenhuma, para não ser chata igual aquela Chica velha. 
No dia seguinte, depois que voltei da escola fui procurar o que fazer. Fui consertar a máquina velha da minha mãe que estava aposentada num canto da casa. Peguei a chave de fenda do meu pai, desmontei a maquina inteirinha, lavei as peças com sabonete para ficar novinha e costurar e qual foi a minha surpresa, quando montei a máquina sobraram metade das peças. 
Agora eu precisava fazer tudo de novo e fiquei nesse monta e desmonta quase uma semana com a minha mãe no meu pé.
Não sei dizer o que aconteceu, por fim não sobrou peça nenhuma. 
Os dias se passaram, fiquei um bom tempo sem aparecer na casa da Chica, mas as festas de fim de ano se aproximavam e imaginava o corre corre da Chica. 
Decidi aparecer!
Aliás, bastava a Chica falar no meu nome e eu já estava lá!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...