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30 de maio de 2014

PEDRA DO URUBU

Pedra do Urubu

Se existia algo nessa vida que eu tinha muita raiva e nojo era de urubus. Acredito que todo mundo conhece ou já ouviu falar em urubu. E não era com bons olhos que o urubu olhava pra minha pessoa. Ficava desconfiado quando me via porque talvez seu instinto lhe avisava
Lá vem pedra! 
E voava, deixando aquele seu cheiro horroroso. É claro que os urubus também não andavam passeando pela cidade, porque na cidade não existia o que eles queriam claro, mas de vez em quando eu os via na cumeeira da casa e isso me deixava irritada. E nos dias que chovia, aqui e ali via-se uma fileira de urubus por cima das casas com as asas abertas.
Nos céus eles faziam o seu círculo, com suas asas enormes e eu me perguntava porque Deus criou um sujeito tão feio.
Ouvia muito falar que nos arredores da cidade havia uma pedra chamada de Pedra do Urubu e não entendia porque com tantos nomes para se colocar em uma pedra colocaram justamente o nome de Pedra do Urubu.
Até que um dia, na escola, um certo dia havia um trabalho sobre a Pedra do Urubu e tínhamos que sair em excursão para visitar a Pedra e conhecer a sua história.
Deus me livre e guarde que lá eu não vou! Mas fui assim mesmo! Desde o dia que vi uma guerra de urubus por um pedaço de carne que comecei a sentir verdadeiro pavor quando via um. E na minha mente cheia de fantasias aparecia um urubu rei voando pelos ares carregando pessoas. Coisas da minha imaginação que era a mil por hora. Dentro de um segundo eu criava uma história detalhada com começo, meio e fim.
E fomos pra Pedra do Urubu e lá aprendi que tinha esse nome, porque era a morada de todos os urubus da cidade
E que o Urubu, mesmo sendo tão feio era um dos maiores aliados da Natureza e cumpria o seu papel com maestria sendo o faxineiro do meio ambiente. Entendi que o Urubu era mais importante do que eu imaginava.
Agora eu olhava para o Urubu com respeito e até lhe disse um dia: “quem diria hem? É mais mais importante que as galinhas? E só não te abraço por dois motivos:
Primeiro porque foges, segundo porque teu cheiro só Deus para ter misericórdia.
Bom mas voltemos pra Pedra do Urubu, naquele lugar existiam muitas e muitas pedras, era lindo de se ver. As crianças da cidade gostavam muito de brincar nessas pedras, imitando os personagens do cinema como o Zorro, com suas espadas de madeira, e os índios munidos de arco e flecha. O que eles viam na tela do cinema, representavam lá em cima dessas pedras.

27 de maio de 2014

NASCENÇA

Foto de Igor Lucena
A Nascença

Foi a partir da descoberta daquelas águas um pequeno açude de nome Nascença que surgiu a cidade onde fui muito bem criada e educada por meus pais. 
Ou onde muitos nasceram e cresceram conhecendo de perto o verdadeiro sentido da fraternidade, da amizade e da solidariedade. 
Um povo alegre e hospitaleiro, cada um com a sua história e raízes. Do mais pobre ao mais rico, todos se conheciam uns aos outros e foi nesse clima que cresci.
Sabe-se através da história que naquela região, habitaram os índios Cariris porque muitas das suas artes foram encontradas em um cemitério, do outro lado da Nascença, conhecido como Cruzeiro.
Era lindo de se ver as lavadeiras lavando roupas com as águas da Nascença, aquelas roupas cheirando a limpeza quarando ao sol depois de lavadas e ensaboadas.
A Nascença, como era chamado o açude, que nascia ao pé do serrote, nasceu pelos desígnios da Natureza para dar a vida pois nos criamos todos alimentados com as aguas daquele lugar bendito.
Nada mais justo que coroar essa santa mãe, como Patrimônio Histórico Natural, que viveu enquanto pode viver até que um dia os desmatamentos a arrancaram da terra.
Existia próximo a Nascença, uma casa grande que chamávamos de Engenho. E quem, não conhecia o Engenho?
E quem não gostava de visitar o Engenho? 
Era o passeio mais convidativo que existia, porque lá se fabricava o mel de engenho que jamais vi em lugar nenhum. 
E quando as turmas do Colégio Padre Viana ali chegavam, a hospitalidade não nos deixava esquecer aquele lugar e voltávamos pro Colégio saboreando alfenim, que era um pedaço de cana mergulhado no mel e se transformava em doce, tipo puxa puxa, amarelo e gostoso que acredito que só naquele lugar sabia fazer.
Dentro do engenho ferviam enormes tachos de mel feitos com cana de açúcar, cada um no seu ponto certo para se transformar em saborosas rapaduras.
Tempos para não se esquecer nunca mais.
A minha homenagem é à Nascença. 
Aguas que se foram, aguas que me alimentaram e mataram a minha sede, com muito orgulho fui criada com as aguas da Nascença.

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...