18 de dezembro de 2013

PROMESSA É PROMESSA

Estava mesmo determinada em pregar uma peça no meu irmão pra ele deixar de ser besta e parar de me apelidar de santinha do pau oco, de dona santinha, de Maria santinha, de Maria adivinhona, de pé no jogo e de que bicho vai dar hoje
Eu já não aguentava mais meu irmão de nove anos enchendo os meus patuás, era sair pra escola e ele já vinha com as gracinhas dele: 
- Já vai! 
Mas bem que ele gostava de me pedir dinheiro emprestado pra comprar pião, ponteira, pipa e nunca me pagava.
Então inventei a simpatia e ele teria que fazer de qualquer jeito porque eu sabia que meu irmão se borrava com medo de uma alma!
- você vai ter que acender a vela na cuia do coco porque a alma está esperando e se você não for ela vem pedir de noite.
- foi você quem inventou isso então vá você acender, dizia ele
- não senhor, foi você quem bebeu a agua do coco da alma, então é você quem tem que ir, e fazer direito.
- vá até o fundo do quintal e acenda a vela na cuia do coco e depois saia devagar pra não assustar a alma e não olhe pra trás. 
A minha mãe já estava ficando desconfiada, querendo saber o que eu estava aprontando e perguntou:
O que é que vocês dois cochicham tanto aqui na cozinha? Daí eu respondi: ele fez uma promessa com as almas e não quer pagar e minha mãe como era resolvida e não gostava de muita lorota respondeu:
Foi mesmo? Pois não pague logo não! É claro que a minha mãe estava se divertindo com aquele macho medroso!
Era tudo que eu precisava ouvir, agora estava com a faca e o queijo na mão.
Como meu irmão era muito assustado, me ofereci pra ir junto e fomos. Esperamos todo mundo ir pra sala e fomos de mãos dadas até o fundo do quintal acender a vela.
Meu irmão me deixou sozinha e voou pra casa feito um foguete e nem fez o serviço direito conforme lhe ensinei.
Mas, de uma coisa eu tinha certeza, nunca mais ele me chamaria de santinha do pau oco.
Me aguarde pra ver!

Maria de Lourdes

SIMPATIA DE MENTIRINHA


Ainda nos tempos do jogo do bicho quando não era proibido, tudo se fazia para adivinhar que bicho que ia dar, disso lembro muito bem.
Era queimar um palito de fosforo na xícara de café, e de cara já aparecia a fisionomia do tal do bicho e junto com a imaginação do jogador por pouco o bicho não saia de dentro da xícara.
E como eu era a mascote do jogo porque ganhava quase todos os dias, também era cheia de inventar as histórias mais incríveis que se possa imaginar, até inventei uma reza pra adivinhar o jogo e ensinava com a cara mais deslavada do mundo pra quem viesse com historinha de que eu tinha palpite
É claro que não dava certo.
Aconteceu que um dia ensinei pra meu irmão como ganhar no jogo, porque ele vivia enchendo a minha paciência.
Você faz assim: quando a minha mãe comprar um coco, fique de olho no coco, não arrede o pé da saia da minha mãe.
Daí ela vai mandar o pai descascar o coco, e você lá. Então ela fura o coco e você precisa estar lá com um copo na mão pra ela colocar a água do coco e você bebe a água.
Depois ela vai pedir pro pai quebrar o coco ao meio e você vai junto, você não pode se separar desse coco até ela raspar todinho e você pegar uma metade pra fazer a simpatia.
E aconteceu o tão aguardado dia porque minha mãe gostava muito de fazer doce de coco e ela mesma preparava o coco ralado.
E eu, só ouvia minha mãe reclamando!
- O que será que esse menino não sai do meu pé?
- Vai brincar! Não está vendo que estou ocupada?
- Você quer a água do coco? Eu já sabia desse pai nosso todo!
- Mas, meu irmão depois de beber a água, respondia
- Não, é a cuia do coco!
E continuei com a minha aula:
Você guarde essa cuia e a noite quando todo mundo estiver na sala você vai lá no quintal, pegue uma vela coloque no coco e deixe lá no fundo do quintal e quando você estiver dormindo alguém vem lhe dizer a milhar do jogo, daí você joga e fica rico!
Meu irmão amarelou, quando falei em alma, me chamou de doida, com os olhos arregalados parecendo que iam saltar da cabeça.
Deus me livre disse ele.

Mas, eu tinha meus planos e ele mais cedo ou mais tarde faria a simpatia!
Me aguarde!

14 de dezembro de 2013

DA DA DA

No mundo do faz de conta os animais cantam e dançam e todos são felizes.










MAHNA MAHNA (manamana, Mah-Na Mah-Na)

No mundo dos animais todos são amigos e solidários. Tem sempre alguem para dar o ombro amigo, lá onde moram sempre cabe mais um, não imposta a raça e nem a cor.











13 de dezembro de 2013

PISTOLEIRA NÃO. DEUS ME LIVRE E GUARDE.


E foi assim que foi! Fui pra casa da Chica e não saí de lá enquanto não falei com a vendedora de perfumes que sempre me dava os catálogos pra eu levar pra minha mãe. Pedi pra ela pra eu vender também e ela respondeu:
 - Deus me livre! Se tua mãe souber! Essa menina parece que não tem juízo certo e lá vai de novo a velha cantiga do juízo. 
Porque será que gostam tanto de mexer com o juízo da gente! Até hoje não descobri.
Mas a Chica deu a maior força dizendo que eu é quem cuidava do caderno dela e recebia todos os fiados.
- E você vai vender pra quem? Respondi: pra umas mulher sem juízo!
Na minha cidadezinha do interior, lá onde judas perdeu as botas. 
Bom eu disse perdeu, porque depois terminou achando e hoje é uma cidade linda e maravilhosa. 
Os costumes eram diferentes e até hoje em certos aspectos ainda são, menos o que vou narrar agora.

Pois bem, existiam umas mulheres que não eram bem vistas pela sociedade e elas eram bem conhecidas pelos seus vestidos que eram todos de um modelo só. 
Se vissem uma mulher com aquele modelo de roupa já sabiam eram essas descriminadas pela sociedade. Lembro bem, que até na Igreja na hora da missa elas sentavam no ultimo banco. 
Mas eu não tinha essa descriminação, pra mim tudo isso era bobagem de gente que quer ser melhor que os outros e elas de vez em quando vinham na oficina do meu pai comprar portas, madeira etc. 
Aproveitei o embalo para vender perfumes pra uma que levou o catálogo lá pra casa delas e no dia seguinte trouxe uma lista de pedidos que eram duas folhas de caderno. 
Na verdade eu era um tico de gente cheia de ideias. 
E minha mãe dizia que elas tomavam os maridos das outras. Não me interessei muito pelo assunto da minha mãe mesmo porque eu tinha lá os meus dez anos e não tinha marido. 
E na minha concepção a minha mãe também não corria esse risco porque ao meu ver meu pai com mais ou menos 35 anos já estava velho. 
Portanto como as moças gostavam muito de andar enfeitadas, seriam ótimas compradoras para os perfumes que eu pretendia vender. E vendi mesmo, muito perfume e maquiagem.

Se não fosse o trá lá lá da minha mãe e a promessa do meu pai de me colocar em um colégio interno teria ficado rica. Acho!
Mas minha mãe toda cheia de lenga lenga, não gostou muito desse negócio e novamente estou eu de pés e mãos atados querendo trabalhar de qualquer jeito. 
Por fim a minha mãe declarou de uma vez por todas que se eu gostava tanto de trabalhar iria arrumar um serviço pra mim já que eu era tão esperta.
Todos os dias depois do café eu pegaria a vassoura iria varrer a casa todinha, depois arrumaria as camas, depois tirava o pó dos móveis, depois colocava água nas plantas. 
No início jogava o lixo embaixo das camas, mas a minha mãe era muito esperta e eu talvez fosse a cópia dela. 
Comecei a prestar atenção na minha mãe e deduzi que ela era também chegada no dinheiro então eu precisava inventar alguma coisa que envolvesse minha mãe trazendo ela para o meu lado.
E analisa daqui e analisa dacolá foi que tive uma ideia daquelas. 
O meu pai tinha um deposito onde colocava pedaços de madeira e comecei a observar que todo mundo entrava ali para pegar aquele material de graça.

Então falei com a minha mãe pra nós duas tomar conta do depósito e ao invés de dar aquele material podíamos vender. 
De cara minha mãe disse não. Mas agora eu tinha uma tarefa pra ocupar meu juízo, convencer a minha mãe a tomar conta do depósito do meu pai.

11 de dezembro de 2013

A CASA DA DONA MAROCA



Não temos que nos incomodar com a vida dos outros, temos que nos preocupar com a nossa vida e deixar a vida do outro em paz. 
Cresci ouvindo isso e mais isso: “macaco nunca olha pro rabo” dito popular que muita gente conhece ou já ouviu falar. 
Mas acontece que existem coisas que chama atenção, incomoda e no caso aqui era a casa da Dona Maroca.
A casa da Dona Maroca era o desleixo em pessoa, situada em plena avenida, verdadeiro cartão postal de bagunça. 
A casa ficava mais pros fundos, mas na frente da casa ao invés de um lindo jardim era depósito de tudo que se pode imaginar e o muro daquele que deveria ser um jardim era feito de tábuas velhas, pregadas de qualquer jeito. 
O piso onde deveria habitar lindas plantinhas era cheio de lixo, mesa velha caindo aos pedaços lotada de panelas velhas que ela lavava e colocava ali pra secar, pneu velho e não sei explicar pra que dona maroca guardava tantas coisas velhas. 
Mais adiante um varal lotado de roupas encardidas jogadas lá de qualquer jeito, sem contar que no muro que feito de tábuas, era também pra secar as roupas e tapetes tudo junto. 
Nas paredes, eram bacias penduradas, panos velhos e qualquer um que passasse parava pra ver a bagunça da casa da dona maroca.
E todo esse arsenal fez com que um dia criássemos uma banda a base de latas, panelas, pratos e bacias em homenagem a dona maroca que não estava nem aí com a peste de mosquitos e ratos que atraídos pela bagunça da sua casa faziam a festa. E a música escolhida a dedo foi nada mais nada menos que saudosa maloca. 
E o show não tinha dia pra acontecer, chegávamos de repente, uns trinta numa só voz cantávamos a saudosa maloca em homenagem a bagunça da dona maroca, tomamos muitos banhos de balde d’água mas embora pareça incrível a dona maroca mudou e hoje no lugar daquela casa velha é uma casa linda, mas na lembrança ficou a casa da dona maroca que não suportou a nossa saudosa maloca.




4 de dezembro de 2013

O MEU BLOG PRECIOSO VAI BEM OBRIGADO


Existem muitos artigos sobre blog. Como criar um blog, como divulgar um blog, como atrair leitores para o blog, como fazer sucesso com o blog, como ganhar dinheiro com o blog.
Blog isso, blog aquilo e blog aquilo outro. Confesso que são tantas informações que se não tiver cuidado fica louco.
Todas essas informações são ótimas não podemos dizer que não, mesmo porque de blog não entendo nada. Minha especialização e profissão e formação é outra.
Agora pode me perguntar. E porque você tem um blog? Boa pergunta que não saberei responder em detalhes.
Talvez porque na minha família todos tem um blog, talvez porque eu gosto de escrever, talvez porque gosto de dividir informações úteis e por isto tenho mais de um blog. 
A verdade é que não foi e não é minha intenção ter um blog de sucesso. Longe de mim, porque meu negócio não é blog.
Se você criou um blog e está no mesmo patamar que eu, sossegue e não desanime não, quando ver um blog com milhões de acessos e o seu não!
Tenha ânimo criatura porque o sol está lá em cima lindo e maravilhoso brilhando pra todos.
Vai ver que seu negócio não é blog, ou melhor, seu fraco! Mas que você gosta de escrever, somente, e eu lhe digo que nós duas (pessoas) empatamos direitinho!
E se o seu blog é de contar a sua história, que ninguém quer lê, acalme-se, esse negócio de contar história não dá em nada, pois o povo gosta mesmo é de outro tipo de histórias que não é a nossa!
Nós não somos nem artistas, nem escritor, nem ator pra ter biografia! E mesmo que fossemos, Não descobrimos e nem inventamos nada pra fazer sucesso.
Historinha furreca de lacinho de boneca quem quer saber? Nem meu filho quer! Pois ele adormeceu só em ouvir eu falar que ia contar a história do meu blog.

Existem BLOG e blog é só colocar o dedo na consciência!
O nosso se enquadra no segundo. É nosso diário e serve de lembrança quando estivermos na idade.
Portanto nada de desanimo, se não tem comentário, se não tem seguidores faça como eu. 
Sorria que a vida é bela! Nós não entendemos de SEO. O nosso SEO é aquele outro C+E+U, que por sinal hoje está com um sol lindo. 
E até mais ver!
Maria de Lourdes

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...