20 de março de 2014

SIMBORA CUMPADE


Não sei quem é o autor dessa história, eu a ouvi no circo quando criança, e lembro até hoje e estou postando ao meu modo, mas o desenrolar do acontecido foi esse.

Dois amigos nascidos e criados lá pras bandas dos cafundós, tiveram a santa missão de serem alimentados unicamente com feijão.
Não conheciam as saborosas iguarias que adornam os pratos nas mesas desse mundão afora.
Então os dois, num cochichado danado de pé de orelha resolveram sair sem destino a procura de outras comidas que não fosse o feijão.
Pois sim. Chegando em uma bela cidade procuraram imediatamente o mais belo restaurante que existia e logo se acomodaram para serem servidos.
E logo chegou o garçom, impecavelmente vestido, com o cardápio na mão para que aqueles ávidos conhecedores da culinária mundial enchessem o bucho.
Mas, existia um problema. Nossos amigos não sabiam lê. E agora?
Restava apelar para o palpite da sorte. E assim decidiram:
-Cumpade, qual o seu número da sorte? O outro respondeu: o meu é 5
Então se o seu é 5 e o meu é 9
Vamos contar nos dedos. Cinco dedos de uma mão mais os dedos dos pés, tirando um dedo mindim fica 14
Vamos então contar nessa lista toda qual é a comida que vamos comer.
E minuciosamente contaram até chegar no prato que seria a desforra de nunca mais na vida comer feijão.
Eu não sei dizer a razão e nem o porquê. Sei somente que em instantes lá vem o garçom com uma bela de uma bandeja adornada de feijoada, quente e fervendo que de longe se via a fumaça.
Calados e de olhos arregalados e a barriga roncando de fome comeram tudo, afinal aquela feijoada era pra ninguém colocar defeito.
Bem ao lado da mesa haviam outros clientes, cada um saboreando as mais gostosas comidas. Podiam até não ser muito saborosas, mas que enchiam os olhos, isso eu garanto que sim.
Nossos amigos decidiram não sair dali sem provar daquela raridade e dessa vez não apelariam pra sorte não, porque foi tudo muito fácil. Os comensais chamaram o garçom e simplesmente pronunciaram o nome daquele banquete.
BIS!
E em alguns minutos estava posta a mesa com aquela paisagem, de dar agua na boca e molhar os beiço!
E foi assim que sucedeu:
Numa euforia de causar inveja a qualquer criança quando quer um sorvete chamaram o garçom e pediram BIS.
E dentro de alguns minutos, adivinhem quem estava pegando fogo nas lindas cumbucas, fumegando na bandeja de prata? A NOSSA CONHECIDA FEIJOADA.
Aí foi demais! Uma feijoada até que dava pra encarar, porem duas no mesmo dia a solução era sair e buscar outras paragens, no tô fora!
E resolvidos que estavam em comer outras iguarias diferentes, e que o feijão não se atrevesse em dar as caras embutidos em cumbucas não, porque se fosse pra comer feijão, eles sabiam onde:
EM CASA.
E saíram de estrada a fora quando viram uma festa. Eram comes e bebes de não acabar mais. A fartura ali corria solta, sem falar no cheiro das comidas que entravam de nariz a dentro deixando o estomago enfezado, com ares de querer sair pela boca ou pelo umbigo.
Ô compadre! Dessa vez nois come! Disseram:
E foram entrando de festa a dentro meio que encabulados, não vamos esquecer que nossos amigos eram tímidos.
Se achegaram, assim como quem quer e não quer nada e esperaram a vez de pegar também um belo prato de comida.
De repente, todo mundo para. Era hora de ver os noivos dançarem a música do casamento por se tratar ali de uma festa de enlace matrimonial.
Dançaram e dançaram.
E até que enfim terminaram a dança disse o compadre ao outro.
Mas alguém, que não sabemos quem até hoje, teve a infeliz ideia de gritar no meio do povo:
EU QUERO BIS
E nisso, os dois compadres, olharam um pro outro, colocaram o chapéu na cabeça, arregaçaram as calças e gritaram!

SIMBORA CUMPADE! SEBO NAS CANELAS QUE LÁ VEM FEIJÃO!

15 de março de 2014

LEMBRANÇAS

Imagem:
dicasdepele.blogspot.com
Sempre quando viajava pra minha cidadezinha do interior, gostava de visitar os sítios das comadres da minha mãe, só pra ouvir aquelas histórias que aconteciam no passado que me deixavam hora de queijo caído, hora de cabelo em pé, hora dando boas risadas.
Era um sossego de fazer inveja.
E a noite preta da cor de breu, como dizem por lá e um candeeiro lá no canto da sala para iluminar aquele cenário e virávamos a noite ouvindo histórias que o tempo registrou em cada canto daquela paragens.
Pense numa pessoa que gostava de ouvir histórias e essa pessoa era eu. E até conhecia netos de escravos que sabiam de cor e salteado episódios de não se esquecer nunca mais.
Terras e pedras testemunhas de gemidos de sofrimento e dor de um tempo que só Deus sabe explicar o porquê.
Visitava uma senhora com mais de 100 anos, segundo ela, que sentadinha em uma cadeira me recebia com um sorriso de felicidade que jamais vi em rosto nenhum. 
Com o seu velho cachimbo na boca, apagado por sinal, dizia que era pra não perder o costume e dava boas risadas.
Dona Maria, assim eu perguntava a senhora é feliz?
Ela respondia: Minha filha eu não tenho do que reclamar da vida não.
É difícil alguém ouvir uma frase igual a essas nos dias de hoje. 
Bom, mas voltando lá pra minha cidadezinha do interior, que não devia um centavo pra ninguém, a paz corria solta. Era tanta paz de dar sono na gente.
E lá no sitio onde eu era hóspede de primeira classe, era tratada a pão de ló. 
Levantava cedinho e aquele céu azul cheio de nuvens da cor de algodão, recebia os primeiros raios do sol aquecendo a mata que fazia exalar das laranjeiras, mangueiras, coqueiros, goiabeiras um cheiro que só a natureza sabe produzir. 
Na mesa, o café quentinho, leite tirado da vaca instantes atrás, fervido com uma nata que eu adorava passar no cuscuz feito de fubá de milho deixado de molho da noite pro dia e depois passado no moinho.
Depois, em companhia das minhas amigas ia passear pela mata, andava alguns quilômetros por uma estrada de terra vermelha depois chegava a um açude onde não arriscava sequer molhar os pés. Depois sentava embaixo dos tamarineiros carregados de tamarindos que eu adorava.
Ô vidão!
Os dias voam depressa e lá se vão as minhas férias e necessário é, retornar pra minha rotina.
E os anos também passam.
Passaram-se mais ou menos 28 anos!
Aquele mundo quase que sobrenatural parece não existir mais. 
As pessoas amigas já se foram, outras cada uma com os seus destinos não as encontrei mais, talvez como eu, buscaram outros ares, outros caminhos.
Não deixaria de retornar à aquele sitio, pelo menos para ver de longe, os lugares por onde andei e as lágrimas escorriam dos olhos, do coração e da alma de tanta saudade.
O casarão de paredes amarelas está intacto e muito bem cuidado como também as laranjeiras, as mangueiras, as goiabeiras e outras árvores inesquecíveis. 
Ali residem agora outras pessoas, não as conheço, apenas o lugar e as lembranças das pessoas hospitaleiras e amigas onde eu muitos dias passei ouvindo as mais belas histórias de um passado que sei foi e deixou raízes no coração da gente.

Maria de Lourdes

2 de março de 2014

CHICA CHATA INFORMA

É Carnaval, vamos cair na gandaia


Fantasia: Avental

Acessório: Balde


E samba no pé com a dona vassoura




Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...