26 de novembro de 2013

VESTIDINHOS? CANSEI

E pra começo de história aquele comercio de vendas de vestidos de bonecas dentro da casa da minha mãe foi que não deu certo mesmo. 
Aquele entra e saí de meninas quase que deixa minha mãe louca sujando o seu chão que mais parecia um espelho.
De cara a minha mãe finalizou aquele furdunço dentro da despensa da sua casa. 
Ela com razão já tinha oito filhos pra criar e não estava disposta a ceder aos meus caprichos de lojinha de vestidos de bonecas bem na porta de sua cozinha. Que eu fosse inventar outra coisa, porque essa daí com a minha mãe era impossível.
Então tive outra ideia: como a feira era na rua que morávamos resolvi colocar os vestidinhos na janela da minha casa em dias de feira.
Minhas coleguinhas de escola eram barulhentas e briguentas demais por causa daqueles vestidos e aquele aglomerado de blá blá blá na porta da casa da minha mãe chamava atenção de todo mundo que passava. Que povo mais curioso aquele! 
E não deu outra. Meu pai quando viu aquilo na porta da sua casa veio fumaçando pra saber que arrumação era aquela que eu tinha inventado dessa vez. 
Jamais eu poderia imaginar que aqueles vestidinhos de bonecas fossem me trazer tantos problemas: não estudava mais, não fazia a lição de casa, dormia e acordava pensando em modelos de vestidos.
Meu pai chegou, perguntou o que estava acontecendo ali na porta da sua casa e ninguém soube responder.
Mandou que eu retirasse aquela mercadoria de cima da janela, fechou a janela e acabou o fuzuê.
Que eu poderia continuar fazendo os tais vestidinhos, que eu podia dar de presente mas vender não, porque lá em casa ninguém estava precisando disso. 
Foi uma ladainha do tamanho do mundo na minha cabeça que até me fez esquecer o assunto porque vestidinho de graça eu não faria nem morta.
Haveria de encontrar uma forma de ganhar meu dinheiro, pois que me aguardassem que imaginação era o que não me faltava.

Sem muito chororô, terminávamos obedecendo, depois tudo ficava numa boa. Por fim não estava mais querendo saber de fazer vestidinhos a minha imaginação que era a mil por hora já estava focada em outro assunto e na casa da Chica tinha uma senhora que vendia perfumes através de catálogos então eu me candidataria a vendedora de perfumes e até já sabia pra quem iria vender é mole?

19 de novembro de 2013

MEUS VESTIDINHOS DE BONECA


Ganhei muito dinheiro no jogo do bicho, comprei presente pra todo mundo, mas não tinha como voltar a jogar mesmo porque surgiu uns boatos que mandaram fechar o jogo, não sei se foi a polícia ou o prefeito, sei apenas que meu pai fez questão de dar a notícia em primeira mão:
Tá vendo só? 
Se continuasse com esta história de jogar e adivinhar jogo? 
Simplesmente arregalei os olhos e não quis saber desse negócio de jogo até hoje. 
E já que eu tinha dinheiro, agora meu tempo era pouco. Minha mãe tinha uma coleção de revistas de modelos de roupas. Comprava pra Chica fazer os vestidos conforme os modelos e eu tinha um saco grande cheinho dos mais lindos retalhos de tecido que a Chica dava pra mim.
Comecei com o meu negócio na despensa da casa da minha mãe. Caixas e mais caixas com retalhos de toda cor, tesoura, agulha e linha e costurava na mão mesmo os mais lindos vestidos todos da moda. Foi um sucesso. Colocava em uma sacola e levava pra escola, vendia tudo. E não vendia fiado de jeito nenhum. Mas meu negócio na escola não durou muito não porque minhas colegas faziam tanto barulho que a professora proibiu aquele comercio na sala de aula. Ninguém estudava com os vestidinhos passando de mão em mão e depois as mães das minhas colegas estavam uma arara com os dinheiros sumindo das suas carteiras.
E esta história veio parar nos ouvidos de quem?
Adivinhem se puder
Da minha mãe e do meu pai, só podia ser.
Revoltada! Fiquei dois dias sem ir pra escola, não tinha noção das consequências das coisas quando disse pra minha mãe só de raiva que a professora tinha me expulsado da escola que não era pra eu aparecer lá nunca mais.
Nem terminei de dar o recado e minha mãe me pegou pelo braço rumo a escola pra tirar esta conversa a limpo.
Eu não estava querendo ir junto. Mas não tinha jeito! E lá a minha mãe ficou sabendo de tudo inclusive do meu comércio ilegal, de vendas na sala de aula.

E já que a minha mãe tinha me levado com material e tudo tive que ficar por lá mesmo com a cara de Amélia, morta de vergonha, mas me animei quando a professora falou que eu podia vender meus lindos vestidinhos na minha casa mesmo, e imediatamente a imaginação busca novas estratégias.

10 de novembro de 2013

MACUMBEIRA NÃO. DEUS ME LIVRE E GUARDE!

E nessa de jogadora de jogo do bicho tenho histórias pra contar porque mais ganhava do que perdia, jogava todo dia escondido do meu pai que odiava jogo.
O jogo era assim, era uma roleta com todos os bichos de 1 a 25 e os vendedores eram espalhados pela cidade e justamente no armazém do Sr. Vicente em frente à minha casa existia um vendedor que se chamava cambista.
E eu inocentemente virei mascote do jogo do bicho porque todo mundo queria saber de mim que bicho que ia dar.
Pois não é que as pessoas iam até a minha casa pra me perguntar que bicho vai dar hoje? Tem algum palpite?
Mas esta história não durou muito tempo não, porque meu pai tinha o controle de tudo. E foi num desses dias que chegou uma comadre na oficina do meu pai para dizer que eu era uma menina de ouro porque através de mim ela já tinha ganho umas 10 vezes no jogo do bicho e que eu quando crescesse ia ser uma macumbeira e das boas!
E ao ouvir tal afronta meu pai deu um pulo da altura da casa, e disse:
O que?
Que história é essa?
Filha minha não nasceu pra ser jogadora e nem macumbeira!
E depois de ouvir todo o relato do correio da má noticia, saiu fumaçando pra casa, que era bem do lado, pra saber da minha mãe os fundamentos desta história.
Só sei dizer que os cambistas não faziam mais jogo pra mim e diziam bem assim: seu pai proibiu vender jogo para você e depois perguntavam:
Você está com algum palpite? E eu respondia: tô sim, mas não digo e qualquer pessoa que me perguntasse era assim que eu respondia: vá lá perguntar pra meu pai.
E só de raiva acrescentava: sei qual é o bicho que vai dar hoje, amanhã e depois, mas não digo!
Claro que era invenção minha, pois eu não sabia de nada, acertava as vezes por coincidência, depois acabou o jogo.
Comprei muita coisa, linhas, enfeites, botão, rendas, para montar meu bazar de roupas de bonecas. E tem muito mais! Ah se tem!

Maria de Lourdes

9 de novembro de 2013

E DEU COBRA NA CABEÇA

Imagem da Internet
Se tinha uma pessoinha que precisava de dinheiro pra fazer as minhas compras essa pessoa era eu. E embora sendo criança já tinha noção do certo e do errado e jamais iria mexer no dinheiro da minha mãe que ficava tão bem guardado no guarda roupa. Eu precisava ter o meu próprio dinheiro e não sabia como.
Existia na minha cidade o jogo do bicho e todo mundo que eu conhecia jogava e eu entrei no embalo. Existia também um livro dos sonhos lá em casa, acho que em toda casa tinha esse livro e as pessoas usavam para interpretar os sonhos e fazer as suas apostas.
Um certo dia, tive um palpite. Vai dar cobra. E nisto fiquei o dia inteiro e sem ninguém me dar atenção.
Meu pai não gostava de jogo e nem a minha mãe. Mas eu era fã do jogo do bicho. Pedi dinheiro pra meu pai pra jogar na cobra, mas meu pai disse que filha dele não jogava, que não estava criando filho pra ser jogador de jogo do bicho e que eu me aquietasse com esta invenção.
O meu pai tinha uma coleção de revistas, que ele guardava muito bem guardadas no guarda roupa. Sei que eram revistas importantes das quais era assinante e todo mês as recebia pelo correio.
Fui lá no guarda roupa peguei umas cinco e fui vender no armazém do Sr. Vicente, que ficava em frente à minha casa e eu sabia que comprava jornais e revistas para empacotar as suas mercadorias.
Peguei o dinheiro e joguei na cobra e a tarde foi cobra na cabeça. Por pouco não desmaiei. E agora como faria para receber o dinheiro? Me vali da minha mãe que me deu uma boas broncas por causa das revistas, mas já que o dinheiro era pra receber foi comigo e o comprovante da aposta e recebi aquele montão de dinheiro que para mim era uma fortuna.
No dia seguinte joguei na cobra de novo e ganhei. Lembro que meu negócio era jogar no jogo do bicho e ganhar. Até que um dia o jogo foi proibido e acabou a farra.
Então eu precisava colocar a minha mente pra funcionar e consegui:
Depois eu conto
E quanto às revistas, meu pai nunca percebeu. E só ficou sabendo depois que cresci e contei pra ele.


1 de novembro de 2013

O MISTÉRIO DAS SOGRAS


Esta história de sogra é meio que complicada. Lembro que a minha mãe era um anjo de sogra, pelo menos é o que diziam seus genros.
Que ela era uma segunda mãe. E tanto é verdade que muitas vezes, ou quase sempre, nunca me dava razão. A razão sempre era do compadre marido!

Tenha mais compreensão dizia ela, porque na verdade eu era a própria polícia dentro de casa. E como sempre ouvi falar mal das sogras, acredito que toda regra tem exceção e minha mãe era uma delas.
Já a minha sogra era um Deus nos acuda. 
O que tinha minha mãe de bondade tinha a minha sogra de ruim.
Falsa que só ela! Na minha presença era um doce, mas pelas minhas costas eu era o diabo em figura de gente!
Dizia que eu era mandona, encrenqueira, tinha mania de limpeza e o coitado do seu filho amargava o pão que o diabo amassou na minha mão segundo ela. Também pudera fui casar justamente com um sujeito carente de mãe, era eu olhar meio feio pra ele e já corria pro colo da mãe. Também eu não tinha vocação pra ser mãe de marmanjo se eu tinha somente 15 anos. Mas sendo eu a figura do cão segundo a minha sogra meu casamento durou 17 anos. E teria durado uma vida inteira se o tal de marido não fosse mulherengo demais. Era um amor de pessoa, mas chegado a um rabo de saia. Bom, mas não estou aqui pra falar de mim e sim da sogra, que falam tanto das sogras e eu não sei exatamente o porquê.
Até que um dia eu também virei sogra! Foi o maior susto porque mudar a rotina das coisas pra mim é complicado primeiro tenho que ver, entender, absorver e depois administro numa boa. Afinal meu filho é minha vida.
E chegou o grande dia de conhecer a nora. Nora que já era nora mesmo e sentadas no maior bate papo, conversa vai e conversa vem, história vai e história vem de repente parei e olhei pra ela e cá aqui com meu botões aprendi a lição de casa.
Agora eu sei porque sogra é uma pedra no sapato, segundo dizem, não sou eu que estou afirmando.
É que a mãe consegue ver os defeitos que o filho não vê. E olhando pra minha nora pensei! Olha só, agora sei porque ninguém gosta de sogra. Mas a boa convivência faz bem pra todo mundo e segundo a minha irmã que é uma excelente conselheira disse: Não meta a sua colher, você é cega, muda e surda quando se trata da nora. Mas que a minha nora quer meu filho só pra ela isto quer sim. Não digo que vou ser um anjo igual a minha mãe, pois de anjo não tenho nem mesmo uma pena de asa.
Entendi que sogra tem raio x no olho! E desvendei o mistério!


Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...