9 de agosto de 2014

A ESPERTA E A PATA CHOCA


E nesse lenga lenga de mundo vai se acabar, tomei uma decisão:
Mudar o título da história e pra isso fui estudar

Pra terminar de contar
Em que deu esse enrosco.
Essa medonha tramoia
De quem vê e quem te viu!
Patolina espere um pouco
Que o fim ainda não saiu.

Não aperreie meu juizo
Se não, não conto sua história
Quem mandou você ser besta
E confiar em lorota?

Maria de Lourdes                                                


7 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 5ª PARTE

Pois eu não disse?
Que naquela visita tinha ciença?
Eu sabia!
Esse pingo de gente não dá ponto sem nó.
Até cego enxerga, menos a benzida da dona Patolina.
Se eu não conhecesse direito a dona Patolina diria que bebeu chá de cueca!
Ah bicha besta!
O que será que aquela sem futuro está tramando nos ouvidos da dona Patolina?
E na pontinha do pé encostei o ouvido na porta, juro por tudo que é mais sagrado que se ouvido e olho tivessem pé estariam lá embaixo da mesa.
Preciso contratar de novo o gato porque nesses anos todos dona Patolina correu mais do que cobra cega, trabalhou mais que jumento de carga e está reboculosa, movida a pão de ló, carro do ano, cabelo, pele e unha direto nas esteticas. Essa aí vai dobrar o olho em cima da dona Patolina que se era besta agora está pior ainda.
E de ouvido grudado na porta ouvi com esses ouvidos que a terra há de comer:
Tu quer ganhar quanto? disse a dona Patolina
Meu pensamento mais rápido que a luz saiu fora da minha cabeça: 
O quê? vai vir de novo pra cá?
Valei-nos Senhor São Bento! Protetor dos mordidos de cobra!
R$ 3000,00 tá bom?
Amarelei, as pernas ficou parecendo vara verde e pensei:
Quer ver eu desmaiar!
Mas, me segurei com toda força da minha fé e pedi pro Padin Ciso, um sustento, pra não cair ali naquela hora pois aquela pata movida na manteiga precisava de mim.
Mulé! é muito dinheiro, disse a dona Patolina. Aqui ninguem ganha isso.
E do outro lado da porta, até deu pra ouvir o barulho da goela da dona Patolina tentando engolir o cuspe. De que jeito sem ter? A boca secou. Ficou seca, seca coitada!
E por um instante vi a dona Patolina com a trouxa na cabeça, rumo pra morar no olho da rua se pagasse um salário desses!
Então mulé! tu me paga 1000,00 registrado na carteira e 1000,00 por fora tá bom assim?
Não sei dizer o que conversaram mais porque tive que correr pro banheiro com dor de barriga e apois não é que a dona Patolina tambem?
Por fim depois do alivio sai a dona Patolina com a resposta!
Vou fazer isso porque tu é minha amiga, mas não é correto, tu pode vir.
Mas, espie só!
Passei uma semana com os miolo mole! quer dizer: meia doida, falando sozinha!

Maria de Lourdes

Comentário de

08/08/14 11:57 -Stelo Queiroga do site Recanto das Letras

Menina assim é demais.....
Até eu já me revolto.....
Nem bem vou ali e volto....
E a mulé já deu pra trás....
É coisa do satanás.....
Fico até passando mal....
Vai botar ela no pau....
Com essa estória de por fora...
Na hora de ir embora....
Vai direto ao tribunal..... 

6 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 4ª PARTE



E num certo dia, a porca torceu o rabo e Zumira amanheceu com o cão no couro. Chegou espalhando brasa e nem sei dizer o que ela tinha. Uma tromba de elefante que quase enrosca a goela da dona Patolina.
Veio pra informar que havia encontrado outro emprego!
Quase pulei de alegria, até que enfim aquele encosto estava pra bater asas e se mandar!
E Dona Patolina toda chorosa queria porque queria saber porque a metida a besta estava se mandando.
Só respondeu e mal respondido: recebi outra proposta, pegou suas coisas e foi embora!

E o tempo passou, e passou o tempo!
Ah se minha avó fosse viva! pra eu contar pra ela tim tim por tim tim como a falsidade nesse mundo é grande!
Como pensamos que conhecemos as pessoas e delas não sabemos nada!
E passaram-se cinco anos!
E um certo dia, quem aparece?
A Zumira Uai! quem poderia ser pra causar tanto espanto? quase caí de costas! e pensei:
De novo?
Sumiu, desapareceu e de repente aparece assim do nada?
A metida a besta estava do mesmo jeito! nem cresceu e nem diminuiu! E dona Patolina parecendo uma pata choca lá se foi paparicar a  bendita com xícara de café e bolo!
E pensei com meus botões!
Tem ciença nessa visita!
Tem ciença nesse aparecimento assim de supetão!
Aí tem coisa!

5 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 3ª PARTE


Danou-se tudo!
A Zumira fumava mais que uma caipora. Nesse tempo não era proibido fumar em ambientes fechado. E a Zumira com o seu cigarro na boca e suas baforadas, empesteava tudo de fumaça fedorenta.
E foi num desses dias que quase toca fogo no prédio.
Apagou o cigarro mal apagado, e jogou o cigarro na lixeira próximo da mesa.
E mal a Dona Patolina chega em casa o telefone toca!
-Corra Dona Patolina, a sra está colocando fogo no prédio!
Como?
Respondeu a pagadora de pato. Se eu estou na minha casa como posso está pondo fogo! E eu sou lá mulher de colocar fogo em coisa nenhuma?
Me respeite sujeito!
Dona Patolina não entendeu o recado, e só depois de cair a ficha foi que percebeu o que estava acontecendo.
Correu pro escritório feito uma doida varrida e lá chegando quase desmaia.
Juro por tudo que é mais sagrado que o mundaréu de gente era grande. Tinha policia, bombeiro, bloquearam o transito e ainda por cima os moradores do prédio quase degolam a Dona Patolina.
E tudo aconteceu bem assim: da calçada do outro lado da rua, alguem viu uma fumaça saindo pela janela do prédio e em dois minutos arrombaram a porta da Dona Patolina que ao chegar encontrou toda a sala coberta de pó branco. Poderia ter sido um grande incêndio não fosse alguem ter percebido a fumaça.
O cigarro mal apagado da Zumira queimou o cesto e um pedaço do carpete.
E depois a Zumira declara:
Pode deixar! eu pago o prejuízo. O erro é meu e devo pagar! Se quiser eu assino uma declaração
Olha só! Pagar com o que?
Conclusão da história: a Dona Patolina falou:
Não mulher! tu não teve culpa! tu não fez isso de propósito, foi um acidente e pode deixar que eu reformo tudo!
Não mulher! eu pago, dizia o tamborete mal intencionado.
Mulherzinha besta essa Dona Patolina viu? quase foi linchada e degolada na portaria do prédio.
Pois fiquei tiririca! de longe!
Pense aí numa mulher besta! Pensou? Pois era ela mesma. A Dona Patolina. Acho que a Zumira fez foi enfeitiçar a Dona Patolina com aquele benzimento ou então colocou o nome dela dentro de um litro de mel! E estava lá a coitada afogada na besteira!

4 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 2ª PARTE


E na volta, pra dar continuidade a história, encontro com meu marido que diz bem assim: 
Você não acha que essa história está comprida demais não? 
Sujeitinho dos miolos de pote, desmancha prazeres esse aí viu! 
Por pouco me tira do prumo e fico sem rumo pra contar a história. Ah se minha avó estivesse aqui! 
E nesse vai e vem danado com pratinho de bolo pra aqui e pratinho de pudim pra la, a Zumira tinha a mania de ligar pra Dona Patolina pra pedir dinheiro emprestado e Dona Patolina parecendo uma pata choca dizia:
Tu precisa de quanto? E bem o telefone não voltava pro gancho o dinheiro já estava na conta da Zumira. 
E nem sei informar se pagava ou não. Como vou saber?
E foi num belo dia que a Zumira veio com a história da Dona Patolina dá emprego pra ela!
É bem verdade que a Zumira pra Dona Patolina tinha um cartaz danado! Era Deus no céu e Zumira na terra!
Pense numa pessoa eficiente! Pensou? Era ela. Zumira.
É a profissional mais competente que já conheci dizia. 
E as pessoas ficavam de boca aberta de ver tantas qualidades numa pessoa só! Isso é que era um chaleramento com essa tal de Zumira, nunca ouvi falar!
De cara a Dona Patolina respondeu: Deus me livre! Está doida? Não posso pagar teu salário. 
Não senhora isso não. É que a Zumira parecia que tinha tudo quanto é curso superior e Dona Patolina se achava pequena demais para tanto saber. Não tinha emprego pra ela não.
E continuou insistindo:
Não mulher! tu me paga o quanto tu puder. Deixa de ser besta é só pra mim não ficar sem emprego. E nesse chove não molha terminou a Dona Patolina dando o emprego pra Zumira.
E o contra-regra disse:
Conte essa história a prestação! História comprida demais cansa as vistas.
E Dona Patolina, mesmo parecendo uma barata tonta, começou a perceber que a Zumira tinha o olho maior que a cara. A danada não cresceu, mas em compensação o olho se fosse possível medir deveria ter pra lá de 3 metros. Pois não é que já estava querendo comandar a Dona Patolina? que reclamava pras paredes. Esse pingo d'água está começando a esquentar minha moringa!
E volto logo com o resto!

Maria de Lourdes

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO?


Se eu contasse essa história pra minha avó ela com certeza diria!
Minha filha! É o fim do mundo! É que minha avó, que Deus a tenha, teve a grande sorte de não ouvir nem falar nos absurdos que vemos hoje.
É tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa que a coitadinha que não era acostumada a tanta trambicagem, se soubesse daria um passamento e morreria na hora, antes do tempo.
E um dia quando tivermos netos, o que será que eles terão para nos contar se nós já vivemos encardidos de ver tanta coisa que não dá em absolutamente nada.
Antigamente criava-se gato e gato caçava rato. Hoje em dia, rato ficou mais esperto que gato e pra mostrar pro dono que gato é gato precisa passar por uma humilhação dessas. Caçar rato com uma espingarda. Pode?
Mas a história que eu teria pra contar pra minha avó não seria essa não. Seria a história da pata pagando o pato.  
A Zumira, mulherzinha metida a besta, toda cheia dos não me toques que nem tamanho tinha, não passava de um metro e meio e olhe lá!
Tirando os saltos altos de quase um palmo deveria medir 1.45 de altura ou menos. Bom, mas isso não tem importância, porque eu também não passo de um metro e meio e sempre digo que tamanho não é documento.
De vez em quando alguem me chama de baixinha e faço de conta que não vejo. Até dizem que nós temos o pavio curto, que não crescemos de ruim. Ruim no bom sentido porque a Zumira era maquiavélica. Briguenta e metida a valente era ela mesma.
Tinha uma lábia que Deus me livre! Convenceu a pata a pagar o pato, ora veja! Conversava muito bem com seu português sem faltar uma virgula e quem a visse com seu tra la la jurava de pé junto que a Zumira era o próprio retrato da honestidade em pessoa.
Estava me esquecendo de lembrar, que nessa história tem também a Dona Patolina. Nome mais feio e sem graça esse! É que Patolina vem de Pata e quem paga pato não é a pata é o pato esqueceu? Então é Patolina!
Zumira e Patolina tinham uma amizade daquelas de uma almoçar na casa da outra, de tititi daqui, tititi dacolá, carne e unha.
E Patolina besta que só uma vaca velha, achava a Zumira a criatura mais honesta, mais integra, que existe na face da terra.
Pense numa mulher honesta! Pensou? Era ela. A Zumira.
Pois a Zumira soube espalhar tão bem a sua candura e honestidade, que eu já cheguei até a ver com esses olhos que um dia a terra há de comer, Dona Patolina tomando passe com a Zumira.
Pois não é que a Zumira foi aprender a benzer só pra benzer Dona Patolina, que nesse dia teve uma dor de cabeça e uma dor de barriga tão grande, daquelas de revirar as tripas que foi parar no hospital só o pó da rabiola.
E Dona Patolina mais besta que um jumento cagando numa noite de chuva, contava a sua vida todinha todinha, tim tim por tim tim pra Zumira, que sabia até a hora exata que a Dona Patolina ia pro banheiro. E a história é pra mais de metro, e eu vou contar! Sossegue! Enquanto vou ali, deixo o gato pastorando o rato!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...