4 de dezembro de 2016

Chá Disso, Chá Daquilo, Chá Daquilo Outro



Com certeza você já deve ter ouvido essa expressão!
Chá disso, chá daquilo, chá daquilo outro, aqui no meu artigo, trata-se do enorme conhecimento que a minha mãe tinha a respeito de chás.
E que maravilha que era! Com certeza já nasci tomando chá disso e chá daquilo ou seja chá de erva doce ou chá de camomila.
Lembro que a minha mãe tinha um espaço reservado para guardar os seus ingredientes para os santos chás que resolvia, era tiro e queda. Tomou sarou. E da minha mãe herdei esses costumes maravilhoso pois me tornei uma fã incondicional de chá disso, chá daquilo e chá daquilo outro.
O chá é sem dúvida um presente da natureza e a minha mãe, com certeza, assim como eu,  herdou esse hábito da sua mãe também. Por isso dizemos: de geração a geração os chás porque é a mais pura realidade.
E já que estamos falando de chá disso e chá daquilo e etc.. não posso deixar de falar no chá de Ipepaconha. Conhecido do Nordeste como papaconha. Outro chá que a minha mãe amava demais era chá de carqueja e chá de macela.
Chá das cascas de árvores como aroeira, ipê roxo, balsamo, umburana de cheiro e muitos e muitos outros. E o que era mais importante, conhecíamos a procedência das arvores. Lembro bem que fui curada de uma dor na perna com aroeira. A minha mãe fervia as cascas, depois colocava sal grosso e lavava a minha perna todas as noites antes de deitar. Conhecíamos também um santo remédio para feridas no útero que era malva do reino, conhecida também como malva da folha grossa. A minha mãe pegava as folhas batia no liquidificador com um pouco de água, colocava na geladeira e tomava meio copo por dia.
Chá para nervosismo era o chá de erva cidreira ou capim santo plantados lá no quintal de casa.
Problemas nos rins? bastava usar as folhas do pé de abacate.
Pra diarreia eram as folhas de goiaba. Chá das folhas do pé de laranja com mel realmente me faz lembrar dos cuidados da minha mãe.
E o mastruz? e minha mãe com a sua sabedoria dizia, não pode usar muito mastruz.
Hoje tenho todos esses chás na minha casa e continuo com os mesmos costumes que com certeza vão passando de pais pra filhos.
Existe também no Nordeste um medicamento muito conhecido e que já salvou muitas vidas. Não é chá mas a minha mãe tinha na sua farmácia maravilhosa: Chama-se "Aguardente Alemã" e todas as vezes que vou ao Nordeste compro e nunca deixo faltar na minha farmácia caseira.
Creio que o amor pelas plantas e o respeito, cuidados e agradecimento à natureza faz parte do processo de cura quando recorremos a ela para cuidar dos nossos males.



25 de outubro de 2016

Nos Tempos da Chica e das Eleições



De toda aquela confusão eu mesma não entendia patavinas nenhuma e também não queria entender porque nunca gostei de muito hem hem hem.
Sei apenas que em épocas de eleição o bicho pegava fogo lá na minha cidadezinha do interior que não devia um centavo pra ninguém. Eu acho. Eram dois partidos, cada um mais afoito que o outro.
Na casa da Chica as encomendas diminuíam porque a Chica era de um partido e as clientes que eram do outro queriam ver o diabo e não a Chica.
Eu mesma que sempre fui meia do contra com meus 10 anos era dos dois. Porque era uma situação de pedir misericórdia a Deus. Na casa do meu pai e da minha mãe todos eram de um partido só, os funcionários do meu pai também.
Eu é quem tinha que me virar com essa história de partidos A e B porque minha grande amiga era do partido B e meus pais do partido A. Na escola nem se fala, e na saída das aulas todos os dias tinha uma briga. Aqueles pirralhos que mal tinham saído das fraldas já carregavam no sangue a politica ensinada pelos pais.
E naquela época existiam os tais comícios e passeatas. Minha simpatia era pelo partido do meu pai, mas não conto as vezes que na companhia da minha melhor amiga fui para o comício contrário escondido pra ninguém saber.
Não saber? duvido! cidade pequena é o diabo, no dia seguinte era a primeira coisa que meu pai sabia.
- O que era que a senhora estava fazendo no comício de...
E eu com a cara mais lambida do mundo simplesmente dizia: eu mesma não. Chame aí o fuxiqueiro pra provar!
Eleitores do partido A e partido B quando se encontravam não prestava não. A coisa era feia. Quem era amigo, nessas épocas deixava de ser. E pelo que eu pude observar ainda hoje é assim. E eu que imaginava que selvageria só existia naquele lugar, me enganei, quebrei a cara porque hoje estou vendo coisas iguais ou piores. 
Lembro que no dia das eleições vinham policiais do exercito para garantir a ordem. Também era proibido a venda de bebidas alcoólicas. Também as pessoas dos partidos ofereciam almoço para aquelas que vinham dos sítios ou fazendas, para votar.
A minha mãe também fazia uns panelões de arroz, feijão e carne. E depois das eleições e da posse, as freguesas da Chica retornavam com cara de Amelia, alegando que a Chica estava botando boneco! 
Tudo mentira, porque eu via tudo e mais um pouco!
Enfim a pendanga continua a mesma, tanto aqui como lá. E não duvido que um cliente deixe de comprar em determinada loja porque o dono é de outro partido.
Também não duvido se alguém morrer ou bater as botas só compareçam pro enterro pessoas do mesmo partido.
Nesse mundo velho que até hoje não colocaram a porteira, não duvido de mais nada.
Se fosse nos tempos da Chica perguntaria pra ela que gosto tem o poder. E ela com certeza diria de mel. 

3 de outubro de 2016

Recado do Assistente ao Doutor





Existia numa pequena cidade, um hospital e um doutor.
E um certo dia, chegou todo esbaforido o assistente que era além de assistente, o conselheiro e o jornal ambulante do hospital. E nesse dia chegou ele com a grande noticia.

Disse o doutor:
Seu menino diga logo
Pare de tanto arrodeio
Conte logo essa história
Antes que me aborreça
Desembuxe esse fuxico
Já que veio todo proza
Azucrinar meu juízo

Então o assistente já foi direto ao assunto:

Pois o senhor que se avexe
Pegue um caderno e um lápis
E vá pra escola estudar
Senão a moçada aí
Vão tomar o seu lugar

Lá na instituição
Chegou uma carrada de médicos
De longe eu contei mais de cem
É médico que não acaba mais
E em tudo que é especialidade
Convocando outros médicos
E vão ensinar ao doutor também!

E o doutor  respondeu:

Era só o que me faltava
Depois de velho aprendido
Estudado e diplomado
Voltar de novo a estudar.

Pois é a moda doutor
Que o senhor tem que acompanhar.
O doutor que me adesculpe
Essa minha ousadia
Mas seu saber é do passado
Não acompanha a sabedoria

As doença do passado
Era papeira e sarampo
Catapora dor de lado
Lombriga e bucho virado
O doutor pra ser doutor
Tá meio disatualizado
Me adesculpe a franqueza
Está mais pra benzedor.

Se avexe logo e vá pra escola
Para aprender coisas novas
E assim o povo ajudar
Hoje é tudo diferente
Até as doenças mudaram
É Zica, é chikuncunha
É depressão é stress
E essas são só as pequenas
Que as grande não vou contar

E pra saber lidar com elas
O doutor vai ter que estudar
Os moços lá é gente fina
Todos bonitos e cheiroso
O senhor vai sentir é gosto
Quando naquela sala entrar
Para de novo estudar

E cá aqui, entre nos
Os remédios também estão mudando
Sabe aquela dor de barriga
Que o doutor estava me tratando?
Me passou foi Alkasete
Que nem estão mais fabricando

E diante desse tralálá todinho respondeu o doutor

Chega de tanta conversa
Que já entendi o recado
Depois de velho e barbado
Vou ter que de novo estudar.
E faço com muito gosto
Pra população ajudar.

Digo com sinceridade
Mesmo não sendo especializado
E com tão pouco saber
Já salvou muita gente na cidade.
Com sua dedicação tamanha
E sua arte de cuidar.
Vai aprender muita coisa
Mas, também vai ensinar.

Maria de Lourdes

28 de setembro de 2016

Reunião dos Sabiás

Imagem: Fotos e fotos

Nos arredores da cidade a comunidade dos sabiás se reuniam.

Em reunião solene, traçavam os seus planos. Ocupariam todas as arvores da cidade, marcariam território e com todas as forças dos seus potentes pulmões convidariam as sabiás para juntos formarem uma bela família.

E comentavam entre si:

Ouviremos muitos palavrões, nos mandarão pra uns lugares que só eles conhecem, baterão portas e janelas, outros nos atirarão pedras nas nossas perninhas de sabiás e não fosse Deus para nos dar asas não sei o que seria.

Eles são assim mesmo, tomaram o nosso lugar e querem nos colocar pra fora.

Algum filho de Deus nos ama, outros se pudessem nos colocariam nas gaiolas. Vamos arrumar as malas que o grande dia está chegando.

E assim é que é. Logo logo o grande concerto dos sabiás começa. E eu amo o canto dos sabiás, que as quatro da manhã cantam em três arvores perto da minha casa.

Maria de Lourdes 

22 de agosto de 2016

E O QUE ERA DOCE ACABOU-SE

Imagem StockSnap


E ficou a saudade!
Pelo menos pra mim, e acredito que pra milhões de pessoas ao redor do mundo.
Precisávamos desses momentos de emoção e de alegrias. 
E o esporte está aí para nos ensinar tudo quanto precisamos aprender para vencer obstáculos.
Não somos a maior e melhor tecnologia do mundo porem o que nós oferecemos foi algo que nenhum laboratório é capaz de produzir.
A hospitalidade e a alegria do brasileiro.
Que mesmo com tantos problemas é capaz de segurar a peteca com a sua raça e coragem!
O Rio de Janeiro foi o mestre que soube representar muito bem quem somos nós.
A Olimpiada do Rio foi muito criticada, a olimpíada não resolveu e não resolverá os nossos problemas sociais e nem políticos. Mas, foi uma chuva de bençãos dos céus derramada sobre nós que acreditamos na paz, na solidariedade, na união e na alegria.
Conhecemos pessoas lindas, maravilhosas, pessoas simples que acreditaram nelas mesmas e com isso nos dando o incentivo da luta do dia a dia.
Problemas e dificuldades fazem parte da vida do ser humano. Se para alguns faltou alguma coisa, é normal porque a perfeição que tanto exigimos, nem nós mesmos o somos.
A Perfeição está nos céus, que nos cobre todos os dias e nos convida para as reflexões.
A cada pessoa que contribuiu para que esse espetáculo acontecesse aqui, O MEU MUITO OBRIGADA, DE CORAÇÃO!
Ficará a saudade desses dias inesquecíveis que se passaram tão rápido!
E que Deus abençoe a todos!

Maria de Lourdes

19 de abril de 2016

PARABÉNS AOS ANIVERSARIANTES






O Blog da Chica Chata não poderia deixar de homenagear no dia de hoje, 19 de Abril, que é tambem o meu aniversário, aquele que é e sempre será ROBERTO CARLOS!




18 de abril de 2016

Ponte do Futuro da Chica Chata!


Incrível essa ponte!


Lá pras bandas da minha infância, onde a imaginação era a causadora de tantos atropelos na minha vida e tantas dores de cabeça para o meu pai e a minha mãe, lá pra essas bandas aí, quis eu construir uma ponte utilizando um pé de mamona que nasceu e cresceu justamente no pé do muro do quintal da minha casa e pra sua sorte ou azar existia eu naquela perseguição infeliz de imaginar que aquele pé de mamona seria a ponte para que eu pudesse subir no telhado da minha casa com o objetivo de investigar se lá por cima existia um buraco por onde deveria passar a tal de cegonha que de dois em dois anos enchia a casa da minha mãe de meninos pra encher meu saco com aquelas chupetas que não paravam na boca de jeito nenhum.
Era a chupeta cair da boca e o menino chorar e eu já que não tinha serventia nenhuma pelo menos que fosse até ali acudir o chorão devolvendo a chupeta na boca enquanto a minha mãe preparava a mamadeira.
E aquele pé de mamona seria a solução para os meus problemas interiores, subiria de vez em cima daquela casa e encheria aquele buraco de cacarecos e folhas e duvido que cegonha nenhuma viesse mais entrar ali com tanto menino!
E os anos se passaram, e vai daqui e vai dacolá quando um dia eu vi pela primeira vez o viaduto do chá e quase caí de costas, de tanto que olhei, tentando entender como foi que subiram até ali e colocaram aquela ponte.
Depois vieram as pontes sobre as águas. Cheguei mesmo a perder noites de sono imaginando como é possível construir pontes dentro do mar.
Eu, até hoje não acredito numa coisas dessas.
Mesmo vendo não acredito!
Essa história de ponte é realmente um assunto cheio de mistérios. Tem até uma novela que se chama a ponte dos suspiros, imagine só a quantidade de nomes que possuem as pontes pelo mundo afora.
Uma outra conheço bem:

A PONTE DA AMIZADE!

E a conheci um certo tempo atras quando eu toda emperiquitada, de roupa social e salto alto me debandei lá para o lados do Paraguai pra comprar presente barato.
Amarguei o pão que o diabo amassou atravessando aquela ponte lotada e um calor infernal pra nunca mais querer saber de ponte de amizade nenhuma na minha vida.
E para retratar aqui o meu relato bem que procurei nas minhas imagens uma ponte. E foi quando me lembrei das imagens do google.
Vi ponte de tudo quanto é jeito. Algumas até que serviriam, mas Deus me livre e guarde de pegar a ponte dos outros já que sou meia azarada pros lados de ponte.
Lembro que ao me deparar com o viaduto do chá, de tanto olhar pra cima quando baixei a cabeça foi um zum zum zum nos ouvidos, fiquei tontinha e quase não me aprumo pra seguir em linha reta rumo ao meu destino.
Não senhor! macaco velho tem medo de cumbuca e nessa de ponte estou feito gato escaldado com medo de agua fria!
Até que tentei desenhar uma.
Mas, cadê a vocação pra desenhar?
Quem me dera saber! apenas consegui uns rabiscos com quatro estacas.
E eu mesma deduzi!
Não, não, isso não é uma ponte.
Por fim surgiu a ideia de criar a minha própria ponte.
Eis aí então a obra!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...