25 de outubro de 2016

Nos Tempos da Chica e das Eleições



De toda aquela confusão eu mesma não entendia patavinas nenhuma e também não queria entender porque nunca gostei de muito hem hem hem.
Sei apenas que em épocas de eleição o bicho pegava fogo lá na minha cidadezinha do interior que não devia um centavo pra ninguém. Eu acho. Eram dois partidos, cada um mais afoito que o outro.
Na casa da Chica as encomendas diminuíam porque a Chica era de um partido e as clientes que eram do outro queriam ver o diabo e não a Chica.
Eu mesma que sempre fui meia do contra com meus 10 anos era dos dois. Porque era uma situação de pedir misericórdia a Deus. Na casa do meu pai e da minha mãe todos eram de um partido só, os funcionários do meu pai também.
Eu é quem tinha que me virar com essa história de partidos A e B porque minha grande amiga era do partido B e meus pais do partido A. Na escola nem se fala, e na saída das aulas todos os dias tinha uma briga. Aqueles pirralhos que mal tinham saído das fraldas já carregavam no sangue a politica ensinada pelos pais.
E naquela época existiam os tais comícios e passeatas. Minha simpatia era pelo partido do meu pai, mas não conto as vezes que na companhia da minha melhor amiga fui para o comício contrário escondido pra ninguém saber.
Não saber? duvido! cidade pequena é o diabo, no dia seguinte era a primeira coisa que meu pai sabia.
- O que era que a senhora estava fazendo no comício de...
E eu com a cara mais lambida do mundo simplesmente dizia: eu mesma não. Chame aí o fuxiqueiro pra provar!
Eleitores do partido A e partido B quando se encontravam não prestava não. A coisa era feia. Quem era amigo, nessas épocas deixava de ser. E pelo que eu pude observar ainda hoje é assim. E eu que imaginava que selvageria só existia naquele lugar, me enganei, quebrei a cara porque hoje estou vendo coisas iguais ou piores. 
Lembro que no dia das eleições vinham policiais do exercito para garantir a ordem. Também era proibido a venda de bebidas alcoólicas. Também as pessoas dos partidos ofereciam almoço para aquelas que vinham dos sítios ou fazendas, para votar.
A minha mãe também fazia uns panelões de arroz, feijão e carne. E depois das eleições e da posse, as freguesas da Chica retornavam com cara de Amelia, alegando que a Chica estava botando boneco! 
Tudo mentira, porque eu via tudo e mais um pouco!
Enfim a pendanga continua a mesma, tanto aqui como lá. E não duvido que um cliente deixe de comprar em determinada loja porque o dono é de outro partido.
Também não duvido se alguém morrer ou bater as botas só compareçam pro enterro pessoas do mesmo partido.
Nesse mundo velho que até hoje não colocaram a porteira, não duvido de mais nada.
Se fosse nos tempos da Chica perguntaria pra ela que gosto tem o poder. E ela com certeza diria de mel. 

3 de outubro de 2016

Recado do Assistente ao Doutor





Existia numa pequena cidade, um hospital e um doutor.
E um certo dia, chegou todo esbaforido o assistente que era além de assistente, o conselheiro e o jornal ambulante do hospital. E nesse dia chegou ele com a grande noticia.

Disse o doutor:
Seu menino diga logo
Pare de tanto arrodeio
Conte logo essa história
Antes que me aborreça
Desembuxe esse fuxico
Já que veio todo proza
Azucrinar meu juízo

Então o assistente já foi direto ao assunto:

Pois o senhor que se avexe
Pegue um caderno e um lápis
E vá pra escola estudar
Senão a moçada aí
Vão tomar o seu lugar

Lá na instituição
Chegou uma carrada de médicos
De longe eu contei mais de cem
É médico que não acaba mais
E em tudo que é especialidade
Convocando outros médicos
E vão ensinar ao doutor também!

E o doutor  respondeu:

Era só o que me faltava
Depois de velho aprendido
Estudado e diplomado
Voltar de novo a estudar.

Pois é a moda doutor
Que o senhor tem que acompanhar.
O doutor que me adesculpe
Essa minha ousadia
Mas seu saber é do passado
Não acompanha a sabedoria

As doença do passado
Era papeira e sarampo
Catapora dor de lado
Lombriga e bucho virado
O doutor pra ser doutor
Tá meio disatualizado
Me adesculpe a franqueza
Está mais pra benzedor.

Se avexe logo e vá pra escola
Para aprender coisas novas
E assim o povo ajudar
Hoje é tudo diferente
Até as doenças mudaram
É Zica, é chikuncunha
É depressão é stress
E essas são só as pequenas
Que as grande não vou contar

E pra saber lidar com elas
O doutor vai ter que estudar
Os moços lá é gente fina
Todos bonitos e cheiroso
O senhor vai sentir é gosto
Quando naquela sala entrar
Para de novo estudar

E cá aqui, entre nos
Os remédios também estão mudando
Sabe aquela dor de barriga
Que o doutor estava me tratando?
Me passou foi Alkasete
Que nem estão mais fabricando

E diante desse tralálá todinho respondeu o doutor

Chega de tanta conversa
Que já entendi o recado
Depois de velho e barbado
Vou ter que de novo estudar.
E faço com muito gosto
Pra população ajudar.

Digo com sinceridade
Mesmo não sendo especializado
E com tão pouco saber
Já salvou muita gente na cidade.
Com sua dedicação tamanha
E sua arte de cuidar.
Vai aprender muita coisa
Mas, também vai ensinar.

Maria de Lourdes

28 de setembro de 2016

Reunião dos Sabiás

Imagem: Fotos e fotos

Nos arredores da cidade a comunidade dos sabiás se reuniam.

Em reunião solene, traçavam os seus planos. Ocupariam todas as arvores da cidade, marcariam território e com todas as forças dos seus potentes pulmões convidariam as sabiás para juntos formarem uma bela família.

E comentavam entre si:

Ouviremos muitos palavrões, nos mandarão pra uns lugares que só eles conhecem, baterão portas e janelas, outros nos atirarão pedras nas nossas perninhas de sabiás e não fosse Deus para nos dar asas não sei o que seria.

Eles são assim mesmo, tomaram o nosso lugar e querem nos colocar pra fora.

Algum filho de Deus nos ama, outros se pudessem nos colocariam nas gaiolas. Vamos arrumar as malas que o grande dia está chegando.

E assim é que é. Logo logo o grande concerto dos sabiás começa. E eu amo o canto dos sabiás, que as quatro da manhã cantam em três arvores perto da minha casa.

Maria de Lourdes 

22 de agosto de 2016

E O QUE ERA DOCE ACABOU-SE

Imagem StockSnap


E ficou a saudade!
Pelo menos pra mim, e acredito que pra milhões de pessoas ao redor do mundo.
Precisávamos desses momentos de emoção e de alegrias. 
E o esporte está aí para nos ensinar tudo quanto precisamos aprender para vencer obstáculos.
Não somos a maior e melhor tecnologia do mundo porem o que nós oferecemos foi algo que nenhum laboratório é capaz de produzir.
A hospitalidade e a alegria do brasileiro.
Que mesmo com tantos problemas é capaz de segurar a peteca com a sua raça e coragem!
O Rio de Janeiro foi o mestre que soube representar muito bem quem somos nós.
A Olimpiada do Rio foi muito criticada, a olimpíada não resolveu e não resolverá os nossos problemas sociais e nem políticos. Mas, foi uma chuva de bençãos dos céus derramada sobre nós que acreditamos na paz, na solidariedade, na união e na alegria.
Conhecemos pessoas lindas, maravilhosas, pessoas simples que acreditaram nelas mesmas e com isso nos dando o incentivo da luta do dia a dia.
Problemas e dificuldades fazem parte da vida do ser humano. Se para alguns faltou alguma coisa, é normal porque a perfeição que tanto exigimos, nem nós mesmos o somos.
A Perfeição está nos céus, que nos cobre todos os dias e nos convida para as reflexões.
A cada pessoa que contribuiu para que esse espetáculo acontecesse aqui, O MEU MUITO OBRIGADA, DE CORAÇÃO!
Ficará a saudade desses dias inesquecíveis que se passaram tão rápido!
E que Deus abençoe a todos!

Maria de Lourdes

19 de abril de 2016

PARABÉNS AOS ANIVERSARIANTES






O Blog da Chica Chata não poderia deixar de homenagear no dia de hoje, 19 de Abril, que é tambem o meu aniversário, aquele que é e sempre será ROBERTO CARLOS!




18 de abril de 2016

Ponte do Futuro da Chica Chata!


Incrível essa ponte!


Lá pras bandas da minha infância, onde a imaginação era a causadora de tantos atropelos na minha vida e tantas dores de cabeça para o meu pai e a minha mãe, lá pra essas bandas aí, quis eu construir uma ponte utilizando um pé de mamona que nasceu e cresceu justamente no pé do muro do quintal da minha casa e pra sua sorte ou azar existia eu naquela perseguição infeliz de imaginar que aquele pé de mamona seria a ponte para que eu pudesse subir no telhado da minha casa com o objetivo de investigar se lá por cima existia um buraco por onde deveria passar a tal de cegonha que de dois em dois anos enchia a casa da minha mãe de meninos pra encher meu saco com aquelas chupetas que não paravam na boca de jeito nenhum.
Era a chupeta cair da boca e o menino chorar e eu já que não tinha serventia nenhuma pelo menos que fosse até ali acudir o chorão devolvendo a chupeta na boca enquanto a minha mãe preparava a mamadeira.
E aquele pé de mamona seria a solução para os meus problemas interiores, subiria de vez em cima daquela casa e encheria aquele buraco de cacarecos e folhas e duvido que cegonha nenhuma viesse mais entrar ali com tanto menino!
E os anos se passaram, e vai daqui e vai dacolá quando um dia eu vi pela primeira vez o viaduto do chá e quase caí de costas, de tanto que olhei, tentando entender como foi que subiram até ali e colocaram aquela ponte.
Depois vieram as pontes sobre as águas. Cheguei mesmo a perder noites de sono imaginando como é possível construir pontes dentro do mar.
Eu, até hoje não acredito numa coisas dessas.
Mesmo vendo não acredito!
Essa história de ponte é realmente um assunto cheio de mistérios. Tem até uma novela que se chama a ponte dos suspiros, imagine só a quantidade de nomes que possuem as pontes pelo mundo afora.
Uma outra conheço bem:

A PONTE DA AMIZADE!

E a conheci um certo tempo atras quando eu toda emperiquitada, de roupa social e salto alto me debandei lá para o lados do Paraguai pra comprar presente barato.
Amarguei o pão que o diabo amassou atravessando aquela ponte lotada e um calor infernal pra nunca mais querer saber de ponte de amizade nenhuma na minha vida.
E para retratar aqui o meu relato bem que procurei nas minhas imagens uma ponte. E foi quando me lembrei das imagens do google.
Vi ponte de tudo quanto é jeito. Algumas até que serviriam, mas Deus me livre e guarde de pegar a ponte dos outros já que sou meia azarada pros lados de ponte.
Lembro que ao me deparar com o viaduto do chá, de tanto olhar pra cima quando baixei a cabeça foi um zum zum zum nos ouvidos, fiquei tontinha e quase não me aprumo pra seguir em linha reta rumo ao meu destino.
Não senhor! macaco velho tem medo de cumbuca e nessa de ponte estou feito gato escaldado com medo de agua fria!
Até que tentei desenhar uma.
Mas, cadê a vocação pra desenhar?
Quem me dera saber! apenas consegui uns rabiscos com quatro estacas.
E eu mesma deduzi!
Não, não, isso não é uma ponte.
Por fim surgiu a ideia de criar a minha própria ponte.
Eis aí então a obra!

7 de abril de 2016

LÁ ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS


Se pudéssemos parar o tempo e escolher os nossos destinos,
Se num passe de mágica pudéssemos fazer a nossa própria história,
Eu juro!
Que voltaria no tempo!
Eu voltaria de mala e cuia lá pra onde dizem que judas perdeu as botas!
Não sei onde fica!
De certo nesse lugar talvez eu fosse feliz!
Eu queria voltar no tempo e nunca ter frequentado uma escola!
Eu queria não ter conhecido essa civilização!
Eu queria ter nascido lá no mato e só conhecer os bichos!
Lá não existe essa história de religião! 
A Natureza já é o maior exemplo de vida que Deus deixou plantado na terra e que os homens hoje fingem que não conhecem!
Lá onde judas perdeu as botas, e não sei onde é, os homens não se destrói uns aos outros!
AH! como eu queria não saber ler!
Para não entender tanta ignorância!
Estampada nas fisionomias e nos jornais!
Eu que não passo de um simples grão de areia e vivo metida nessa multidão!
É tanta mentira!
É tanta corrupção!
É tanta gente tirando de quem nada tem!
E vejo a minha terra que nasceu para ser santa,
Entregue assim em mãos de gente sem piedade!
Como eu queria viver lá dentro do mato!
E nunca ter ouvido falar na politica desses cidadãos!
Maria de Lourdes


Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...