30 de setembro de 2013

A FEITICEIRA

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Se existe uma pessoa que nasceu para ter ideia esta pessoa aqui era eu. 

Quando andava meio que calada, sem muita conversa, a minha mãe já sabia e dizia: tá pensando em que? Não me venha com mais uma das suas. 

No interior era assim, todo mundo se conhece, todo mundo sabe da vida de todo mundo. 

As crianças da minha idade iam pra escola sozinhas, não existia essas violências que vemos hoje, principalmente tarados. 

E se tivesse não eram malucos de colocar suas neuras em ação porque as filhas eram grudadas nas saias das mães, que não precisavam sair de casa para trabalhar e deixar os filhos sozinhos. 

E se acontecesse um negócio desses, o final era feio, que nem é bom contar. 

E nesse vai pra lá e vem pra cá, um dia encontrei uma feiticeira, que ao me ver parada admirando aqueles vestidos estampados, saias rodadas e comprida até os pés, cabelos longos e tranças que vinham até a cintura. 

E nesta admiração toda, se aproximou aqui da minha pessoa, tico de gente, que da vida não sabia nem o bê-á-bá e foi logo pegando na minha mão e destrinchando o meu futuro inteiro até o fim da vida, e da minha mãe e do meu pai e de todo mundo. 

Mal a aula acabou e sai correndo igual a um foguete para contar para a minha mãe tudo o que ela havia falado, que a minha mãe precisava ter muito cuidado porque meu pai estava não sei o quê, não sei o quê, e não sei o quê mais lá! 

E minha mãe que era muito católica, não quis saber desta história de leitura de mão e me disse que no dia seguinte quando fosse pra escola ia mandar meu pai me vigiar para saber se eu ia ficar de prosa com desconhecidos no meio da rua. 

E eu quando vi a feiticeira novamente, nem pensei duas vezes e sai em louca disparada, chegando na escola com o coração saindo pela boca. Ao terminar a aula, o retorno foi o mesmo e ninguém se incomodou porque eram acostumados a me ver feito um fogo de artifício. 

E chegando em casa, foi grande a minha surpresa porque a feiticeira estava lá para dar prosseguimento a retirada do encosto que dizia está com a minha mãe. Era um tal de pedir isto e aquilo, e eu nestas alturas dizia que quando crescesse seria uma cigana porque a feiticeira disse que eu sabia ler a mão, só precisava treinar e se não treinasse ficaria doida. Só sei dizer que meu pai entrou e acabou com o saravá que tinha arroz, feijão, farinha e ovo. 

Mandou recolher aquela feira e sair fora da sua casa. E eu ainda tive a coragem de perguntar: e agora como vou aprender a ler a mão? E meu pai só respondeu: Não tem juízo? E por duas ou mais semanas pra ir e voltar da escola era com meu pai de guarda costa. E meu pai quando dava uma ordem era pra ser cumprida. E toda vez que via pessoas lendo a mão, a carreira era feia! 


Porque a minha mãe contou pro padre que veio falar comigo para me dizer que se continuasse com esta história ia nascer em mim dois chifres preto e um rabo. Que eu fosse criar juízo e que rezasse 10 Pai Nosso e 10 Ave Maria, um Creio em Deus Pai e uma Salve Rainha. Então o negócio era mesmo sério. Cruz credo! Te Arrenego!

27 de setembro de 2013

O CIRCO CHEGOU


Se existe uma coisa que não posso esquecer era da minha adoração por circo.

Não sei como, mas eu era a primeira pessoa na cidade a saber que em breve chegaria um circo. A agitação na minha cabeça era a mil por hora.

O circo seria montado atrás da Igreja, lá era o espaço reservado para os circos. E todos os dias antes de ir pra escola passava pela rua da Igreja para ver se o circo já havia chegado. Por sorte meu pai também gostava de ir ao circo, então podia ficar sossegada que não perderia os espetáculos porque meu pai nos levava e com as regalias de sentar nos camarotes.

Chegou o circo, agora o meu sossego acabou: primeiro aqueles caminhões lotados de coisas lindas, aquelas mulheres que pareciam umas deusas, os malabaristas, os palhaços e eu com aquele fogo todo para assistir ao espetáculo com direito a teatro e tudo mais. Por fim, o dia do primeiro espetáculo. Os personagens do circo faziam uma apresentação pelas principais ruas da cidade, apresentando a sua elegância e beleza tendo na frente dois palhaços com uns cinco metros de altura, que só depois entendi que eram pernas de pau.

Não consegui retirar do armário os nomes dos circos que andaram na minha cidade. Sei apenas que eram títulos pra fazer a gente suspirar de emoção principalmente eu que não tinha outro assunto. A minha mãe não era muito chegada a tanto reboliço criado pelas minhas fantasias, ela era uma mulher muito ocupada com os assuntos da casa e administrar seus filhos que eram na base das rédeas curtas. Com a minha mãe não tinha muito lero lero e se brincasse até meu pai era colocado na sua lista de rédeas curtas.

Mas nos acompanhava ao circo e se dependesse dela, lá ninguém colocaria os pés. E foi numa dessas vezes que nasceu dentro de mim uma fantástica ideia. A de ser palhaço. Meu pai que a tudo cedia era o cúmplice das minhas confidências, mas por azar fui falar pra meu pai justamente na hora que minha mãe estava chegando: que meu pai fosse até o circo e me arrumasse pelo amor de Deus um emprego de palhaço no circo, senão eu adoeceria e nunca mais ia sair da cama!

Só lembro que meu pai arregalou os olhos e não teve tempo nenhum de me dar uma resposta porque a minha mãe deu um pulo com quatro pedras na mão, chamando meu pai de alcoviteiro e me perguntando onde estava o meu juízo. Tive vontade de responder que estava no livro que ela mandou de presente pra professora, mas calei, senão o castigo era na certa. Mas, resmunguei e minha mãe tinha uns ouvidos que benza a Deus.

Se uns nasciam surdos a minha mãe ouvia por dez. Apenas cochichei comigo mesma. “se não me deixar eu ser palhaço eu fujo junto com o circo”. E nem terminei de resmungar e a minha já havia entendido com o seu costumeiro: Como é que é mesmo esta história? Nisto foi chegando a comadre que sabia de tudo.

Comadre! Abra o seu olho, essa menina não sai de lá do circo, arrumou umas amizades por lá e é bem capaz que fuja mesmo! E diante do ocorrido lá se vai a minha mãe me puxando pelo braço para entrar de circo adentro onde não tinha uma alma viva pra ela dar o seu aviso. Metade do circo já havia partido e só restavam alguns homens retirando as lonas e as arquibancadas e lá se foi o meu sonho de ser palhaço que se evaporou em menos de uma semana.

26 de setembro de 2013

ESTA MENINA PARECE QUE NÃO TEM JUIZO!


Este personagem todo mundo conhece, quem não assistiu e ainda assiste o filme "Esqueceram de Mim"? Bom, mas a minha postagem nada tem a ver com o filme e nem com o seu personagem e como eu estava procurando uma imagem que retratasse o meu texto, encontrei esta bem parecida com uma pessoa que eu conheci na infância: cheia de invenções, de histórias e etc e tal.

Claro que esta pessoa era uma menina, e o personagem do filme um menino. Então nada tem a ver um com o outro. E para começar esta história pode ser que seja em dois ou dez capítulos, tudo vai depender da imaginação ou das lembranças que ficaram guardadas dentro do armário que o povo chamava de juízo.

Lembro que muitas vezes ouvi esta palavra juízo quando a sua mãe falava: "esta menina parece que não tem juízo". Não sabia do que se tratava, e na escola perguntava: professora o que é juízo? O que significa a pessoa não ter juízo? A professora mal informada respondia: é doida. E dali saia correndo aos berros e prantos para tomar satisfações com a mãe daquela que era a minha mãe: A senhora está me chamando de doida? e minha mãe respondia: você não tem juízo menina? onde foi que lhe chamei de doida? Daí eu respondia: A professora que disse. E saia minha mãe me segurando pelo braço até a escola para saber que história era esta. Pois o que ela não tinha era uma filha fraca do juízo. E chegando na diretoria da escola a encrenca estava feita: Quem chegou com esta história na escola tinha sido o pingo de gente que no caso era eu.

E minha mãe que era muito brava foi na livraria comprou um dicionário e me mandou entregar pra minha professora, que estava com uma cara do tamanho do mundo pra mim e eu desconfiada com a cara de amelia, que criei toda aquela confusão pelo menos agora tinha certeza que não era doida e minha mãe depois de uns bons conselhos nunca mais disse esta palavra ai: JUÍZO, pelo menos por enquanto.

21 de setembro de 2013

A LINGUA DO NHEM

Cecilia Meireles


Havia uma velhinha, que andava aborrecida
pois dava a sua vida, para falar com alguém.
E estava sempre em casa, a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia, no canto da cozinha
escutando a velhinha, principiou também
a miar nessa língua e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Depois veio o cachorro,da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha, de cá, de lá, de além,
e todos aprenderam a falar noite e dia naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha que muito padecia
por não ter companhia nem falar com ninguém,
ficou toda contente, pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


10 de setembro de 2013

A FORMIGA E A CIGARRA "quem não lembra?


Adaptado da obra de La Fontaine)

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou: 
- Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para gente aproveitar! O verão é para gente se divertir! 
- Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo para diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno. 
Durante o verão, a cigarra continuou se divertindo e passeando por todo o bosque. Quando tinha fome, era só pegar uma folha e comer. 
Um belo dia, passou de novo perto da formiguinha carregando outra pesada folha. 
A cigarra então aconselhou: 
- Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar! 
A formiguinha gostou da sugestão. Ela resolveu ver a vida que a cigarra levava e ficou encantada. Resolveu viver também como sua amiga. 
Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha do formigueiro e, ao vê-la se divertindo, olhou feio para ela e ordenou que voltasse ao trabalho. Tinha terminado a vidinha boa. 
A rainha das formigas falou então para a cigarra: 
- Se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, cigarra! Vai passar fome e frio. 
A cigarra nem ligou, fez uma reverência para rainha e comentou: 
- Hum!! O inverno ainda está longe, querida! 
Para cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e aproveitar o hoje, sem pensar no amanhã. Para que construir um abrigo? Para que armazenar alimento? Pura perda de tempo. 
Certo dia o inverno chegou, e a cigarra começou a tiritar de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. 
Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio. 
Puxou-a para dentro, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quente e deliciosa. 
Naquela hora, apareceu a rainha das formigas que disse à cigarra: - No mundo das formigas, todos trabalham e se você quiser ficar conosco, cumpra o seu dever: toque e cante para nós. 
Para cigarra e paras formigas, aquele foi o inverno mais feliz das suas vidas.

19 de agosto de 2013

VÍRUS X VÍRUS DEIXEM A MINHA CAIXA DE EMAIL RESPIRAR

Custo em acreditar que a pessoa possa ser vítima de tamanho disparate, ou de invasão de privacidade, ou seja lá que nome possa dar ao dito cujo. Pode-se dizer que a intenção seja lá de quem for já está passando dos limites. 
Que perseguição!
Custo a acreditar que ainda existem pessoas que acreditam que os outros são trouxas, ou imbecil! Estou me referindo aos email que ando recebendo e já não sei o que fazer para livrar-me deles.
E o que é pior, eles se repetem, duas ou três vezes por dia:

CONTEÚDO DO EMAIL:

Oi bom dia.
Tentei te ligar no fim de semana e seu telefone so da
fora de área, to querendo saber se vc vai pagar a sua
compra do mes de abril, pq se nao pagar vou jogar
seu nome no spc.
to te mandando a fatura, se nao pagar ate o fim
da semana, coloco seu nome no spc
tenha um otimo dia e deixa o telefone ligado
Qualquer duvida me liga 32312277
E um link para abrir a tal fatura.
O telefone não existe, e não tenho uma fatura em atraso!
E quem me manda o email é uma tal de nathaliasouza.
Este é só um dos dos tipos de invasão que recebo diariamente em minha caixa de email! Sem contar que outros, alem da pertubação ainda pede confirmação do email. E eu que estou de serviços até o pescoço, sou obrigada a ficar a disposição de tamanho disparate. E sem contar que existem outros, é intimação judicial, é cancelamento de cpf, é receita pra emagrecer, é oração pra ir pro ceu, é cobrança de toda natureza! é atualização de segurança de bancos que não sou cliente. E os mais inrrustidos, usam a seguinte tática: O remetente é o meu próprio email, e o destinatário é o meu próprio email é mole?
É vibrador das estrelas, é o diabo a quatro! Vai te danar com teus email! Está querendo o quê? minhas senhas? senhas do banco? não me manda anexos e nem links porque não vou abrir.
Agora vou fazer assim: colocar a boca no mundo!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...