11 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA: A SURPRESA

E a valentona, metida a besta pegou sua bolsa e foi embora.
Que alivio, que sossego! que calmaria! benza a Deus!

E foi desse jeitinho que foi! sem botar e nem tirar.
Com oito dias do ocorrido aparece o contador com as contas para pagar a Zumira
Quando a dona Patolina viu, sentou para não cair!
Oxente! tá querendo me degolar é?
Essa conta tá errada porque foi ela que pediu pra sair.
Ah é dona Patolina?
Me mostre a carta onde ela declara que está pedindo demissão.

-AÍ DONA PATOLINA, EU NÃO DISSE? berrei aos quatros ventos!
Dona Patolina titubeou com sua cara de maria mole, procurou nos bolsos da blusa uma só palavrinha que fosse para explicar a sua burrice e não encontrou sequer uma virgula para se enganar e só agora é que percebeu que nessa hora o que fala mais alto é papel.

-BEM QUE EU DISSE!
O que vale é o que está escrito viu?
E ela declara que vocês mandaram e tem até a carta.
Mas nós cancelamos a carta!
A senhora rasgou a sua, mas ela guardou a dela!

-EU AVISEI! TEM CIENÇA!
E o mês que ficou, foi cumprindo aviso!
Oxente e pode? Sem eu saber?
Pois a senhora não conhece aquela história que diz que a pessoa que não vou dizer o nome é o ultimo a saber?

-OLHA AÍ, NÃO FOI FALTA DE AVISO!
Não senhor, ela pediu e durante cinco horas ficamos conversando e eu pedindo que ela ficasse.
Isso não quer dizer nada dona Patolina e agora a senhora vai ter que pagar.
E dona Patolina emudeceu. Não pelo valor a pagar. Mas pelo choque da premeditação e eu bem que avisei, cuidado!
Mas isso não é nada diante ainda do que estava por vir!
Pagou e achou que descansou!
E o tempo passa quando um dia pela primeira vez na sua vida recebia uma intimação para pagar horas que não devia e salário por fora que não estavam sem pagar.
Agora teria que contratar um bom advogado para poder esclarecer os absurdos daquela cobrança e é quando entra na história o Dr. Frangolino Non Non Comparecido.
Vixe que nome esquisito!
Se minha vó fosse viva diria bem assim: quem tem besta não compra cavalo e cochilou o cachimbo cai.

Maria de Lourdes

10 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA: A CARTA



E vamos deixar a Zumira, tremendo de raiva e de dor nas costas, chorando igualmente a uma desvalida e vamos voltar a alguns anos atrás.
Pois a dona Patolina tinha um marido, que era amigo do marido da Zumira. O Patolino era o bicho mais besta que existe na face da terra.
Êta bicho besta!
Pense num bicho besta! pensou? pois era ele mesmo. O Patolino. E foi ele que apresentou o casal vinte pra Dona Patolina, e foi daí que surgiu a amizade de pratin de bolo vai e pratin de bolo vem.
E misturar amizade com negocio, Patolino estava vendo que não era certo.
Por isso, aproveitando que a Dona Patolina foi dar umas esticadas nas pernas na academia, foi lá e thum: mandou a encrenca embora. 
Fez a carta de demissão em duas vias e  por causa de tanta fofoca despachou a bonita.
Mas, quando a Dona Patolina chegou seu menino, olhe, não prestou não! 
Pense numa pata choca armada até os dentes pra cima do seu Patolino!
Juro por tudo que é mais sagrado, vi a hora de seu Patolino levar uma surra de peia! 
Só sei que o furdunço foi feio, o mundo ficou coberto de pena e no fim das contas, a dona Patolina rasga a carta de demissão e manda a Zumira ir trabalhar. 
Aqui ninguém fala mais nisso e fica o dito por não dito disse ela!
Coitadinha da dona Patolina, que não sabe da missa um terço.
Tão trabalhadeira e tão besta.
Dona Patolina é tão besta que uma vez ficou com uma funcionaria se dizendo que estava com barriga d'água e tome antiácido, e tome chá pro estômago e tome chá pro fígado até que certo dia a funcionária passou mal.
Chamaram a família que levaram a moça para o hospital, a mãe era igual a Dona Patolina, que ao receber a noticia do neto nasceu e é menino, caiu dura no chão.
E dando prosseguimento ao enrosco pois com um mês certinho do ocorrido a Zumira depois do almoço diz que precisa conversar com Dona Patolina.
Ai ai ai ai ai! De novo não! Pelo amor de Deus! O que será dessa vez? E para que eu não corresse o risco de me espatifar no chão de novo, dona Patolina trancou a porta, a chave.
E sem mentira nenhuma, essa reunião durou de 1:00 as 5:00 horas da tarde.
E tome café e tome chá, e tome mais café e tome logo uma garrafa de chá porque a Zumira destrinchou um chorôrô tão mordido do poico que eu do outro lado da porta vi a hora ela morrer.
Que estava indo embora, porque na vida nunca foi tão humilhada.
Mas, espie só!
Que nunca recebeu uma carta de demissão
Que não estava sabendo administrar isso.
Que estava doente de tanta raiva.
Que tinha um més que não dormia direito
Que todo dia ia pro pronto socorro passando mal!
Que vivia com dor nas costas, dor de cabeça, dor de barriga por causa do nervoso
E eu de boca aberta só dizia: VIXE! OXE! QUE COISA! CREDO!
E dona Patolina pedindo por nossa senhora, por Deus, por todos os santos sagrados, que ela relevasse, que ela esquecesse isso que só podia lhe fazer mal.
Dona Patolina chorou tanto nesse mundo que eu vi a hora dalí sair dois defuntos!
Pedindo perdão pelo Patolino, que ela o perdoasse já que era tão amigo dela, e agora sou eu que estou lhe pedindo que fique dizia a pata besta!
Isso é motivo pra alguem fazer um alvoroço desses?
Tem ciença nesse blá blá blá!
Tem ciença nessas lágrimas de lagartixa!
E a incompetente da dona Patolina sequer diante daquele chorôrô teve a coragem de pedir pra ela escrever uma carta pedindo demissão alegando quê:
Não precisa, somos amigas de muito tempo!
É mesmo dona Patolina?
Quem disse isso a senhora?
Se prepare pra pagar pelos seus pecados ouviu sua pata choca
Me deu uma raiva!

Maria de Lourdes                                                               

                                                                                           

LIVRO: CONTOS DE UMA CHICA CHATA


Quem é a Chica?
Chica era nada mais nada menos que a costureira da minha mãe! Digo era, porque todos nós temos o nosso tempo aqui na terra. E que Deus a ilumine onde estiver!

Chica era a pessoa mais eficiente que tive a oportunidade de conhecer! Era a costureira não só da minha mãe, mas de quase uma cidade inteira e eu desde que me conheci por gente era a sua fã Nº 1.

Dava gosto de ver, ela naquela máquina de costura, máquina simples sem recurso nenhum criando aqueles vestidos, saias, blusas com uma perfeição tamanha, que somente quem nasce com este dom sabe do que estou falando. Pois Chica nunca foi a uma escola de corte e costura. Mas com a fita métrica, a tesoura e linha, o tecido em suas mãos se transformavam em obra de arte.
Eu, tinha mais ou menos sete anos quando resolvi adotar a Chica como minha heroína!   

Maria de Lourdes


                                  

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA


E o contra regra falou
Em nome de jijus Crispim
Conte logo essa historia
Pois ta dando farnizim!

Calma, alvoroçado!
Vai medir minha imaginação?
O senhor mesmo que disse
Pra contar a prestação!

E era presentin pra aqui e era presentin pra lá
Pratin do bolo pra aqui, pratin de pudim pra lá

Era um chaleramento, um puxamento de saco tão grande de fazer nojo. 
Que um dia eu tive que rodar a baiana.
-Escute aqui dona Patolina, a senhora precisa se dar o respeito viu? 
Senão uma hora dessas sua vaca vai pro brejo. 
Onde já se viu?
E a dona Patolina não gostou não visse?

-Vá dar o seu palpite noutro terreiro, viu sua enxerida!
-Tá me chamando de galinha dona Patolina?
Oxente onde foi que eu disse isso?
Pois eu pensei que disse e eu ia lhe responder bem assim:
Quem é dona de terreiro é pata, mas já que a senhora não disse, eu também não vou dizer.
E ficou o dito por não dito.
Com seis meses em ponto do regresso, a dona Patolina chama a Zumira pra uma conversa de pé de orelha e lá se vou eu de novo pro meu sofrimento! grudar meu ouvido na porta! 
Será que vai dar aumento? Será que vai subir de cargo? O que danado essas duas vão cochichar? Pensei.
E para minha surpresa ouvi bem assim:
Zumira! não dá pra continuar te pagando esse por fora e é só isso. Se quiser continuar com o que está registrado tudo bem você fica, senão vamos acertar as contas agora, os negócios estão em baixa, não posso pagar.
Não mulé! tu me paga depois não tem problema!
Não senhora, não trabalho devendo.
Então mulézinha eu aceito porque sou tua amiga. Estremeci. E nesse sacudimento bati na porta sem querer e a porta abriu e por pouco não me esborrachei no chão.
E a valentona me olhou com um olho tão feio nesse mundo que me deu até febre. E disse!
Oxente! as paredes daqui tem ouvido é? Perdeu alguma coisa aqui dentro?
Ia lhe dar a resposta da conta de quantos paus se faz uma canoa, mas a dona Patolina lendo meu pensamento se adiantou:
Deixe essa conta pra lá, eu já sei quantos são!
E assim passou mais um ano, até que um dia surge um disse me disse danado e a dona Patolina quis saber quem estava por traz das fofocaiadas.
E por causa das fofocas, o marido da Patolina mandou a Zumira embora!

Maria de Lourdes

                             

9 de agosto de 2014

A ESPERTA E A PATA CHOCA


E nesse lenga lenga de mundo vai se acabar, tomei uma decisão:
Mudar o título da história e pra isso fui estudar

Pra terminar de contar
Em que deu esse enrosco.
Essa medonha tramoia
De quem vê e quem te viu!
Patolina espere um pouco
Que o fim ainda não saiu.

Não aperreie meu juizo
Se não, não conto sua história
Quem mandou você ser besta
E confiar em lorota?

Maria de Lourdes                                                


7 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 5ª PARTE

Pois eu não disse?
Que naquela visita tinha ciença?
Eu sabia!
Esse pingo de gente não dá ponto sem nó.
Até cego enxerga, menos a benzida da dona Patolina.
Se eu não conhecesse direito a dona Patolina diria que bebeu chá de cueca!
Ah bicha besta!
O que será que aquela sem futuro está tramando nos ouvidos da dona Patolina?
E na pontinha do pé encostei o ouvido na porta, juro por tudo que é mais sagrado que se ouvido e olho tivessem pé estariam lá embaixo da mesa.
Preciso contratar de novo o gato porque nesses anos todos dona Patolina correu mais do que cobra cega, trabalhou mais que jumento de carga e está reboculosa, movida a pão de ló, carro do ano, cabelo, pele e unha direto nas esteticas. Essa aí vai dobrar o olho em cima da dona Patolina que se era besta agora está pior ainda.
E de ouvido grudado na porta ouvi com esses ouvidos que a terra há de comer:
Tu quer ganhar quanto? disse a dona Patolina
Meu pensamento mais rápido que a luz saiu fora da minha cabeça: 
O quê? vai vir de novo pra cá?
Valei-nos Senhor São Bento! Protetor dos mordidos de cobra!
R$ 3000,00 tá bom?
Amarelei, as pernas ficou parecendo vara verde e pensei:
Quer ver eu desmaiar!
Mas, me segurei com toda força da minha fé e pedi pro Padin Ciso, um sustento, pra não cair ali naquela hora pois aquela pata movida na manteiga precisava de mim.
Mulé! é muito dinheiro, disse a dona Patolina. Aqui ninguem ganha isso.
E do outro lado da porta, até deu pra ouvir o barulho da goela da dona Patolina tentando engolir o cuspe. De que jeito sem ter? A boca secou. Ficou seca, seca coitada!
E por um instante vi a dona Patolina com a trouxa na cabeça, rumo pra morar no olho da rua se pagasse um salário desses!
Então mulé! tu me paga 1000,00 registrado na carteira e 1000,00 por fora tá bom assim?
Não sei dizer o que conversaram mais porque tive que correr pro banheiro com dor de barriga e apois não é que a dona Patolina tambem?
Por fim depois do alivio sai a dona Patolina com a resposta!
Vou fazer isso porque tu é minha amiga, mas não é correto, tu pode vir.
Mas, espie só!
Passei uma semana com os miolo mole! quer dizer: meia doida, falando sozinha!

Maria de Lourdes

Comentário de

08/08/14 11:57 -Stelo Queiroga do site Recanto das Letras

Menina assim é demais.....
Até eu já me revolto.....
Nem bem vou ali e volto....
E a mulé já deu pra trás....
É coisa do satanás.....
Fico até passando mal....
Vai botar ela no pau....
Com essa estória de por fora...
Na hora de ir embora....
Vai direto ao tribunal..... 

6 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 4ª PARTE



E num certo dia, a porca torceu o rabo e Zumira amanheceu com o cão no couro. Chegou espalhando brasa e nem sei dizer o que ela tinha. Uma tromba de elefante que quase enrosca a goela da dona Patolina.
Veio pra informar que havia encontrado outro emprego!
Quase pulei de alegria, até que enfim aquele encosto estava pra bater asas e se mandar!
E Dona Patolina toda chorosa queria porque queria saber porque a metida a besta estava se mandando.
Só respondeu e mal respondido: recebi outra proposta, pegou suas coisas e foi embora!

E o tempo passou, e passou o tempo!
Ah se minha avó fosse viva! pra eu contar pra ela tim tim por tim tim como a falsidade nesse mundo é grande!
Como pensamos que conhecemos as pessoas e delas não sabemos nada!
E passaram-se cinco anos!
E um certo dia, quem aparece?
A Zumira Uai! quem poderia ser pra causar tanto espanto? quase caí de costas! e pensei:
De novo?
Sumiu, desapareceu e de repente aparece assim do nada?
A metida a besta estava do mesmo jeito! nem cresceu e nem diminuiu! E dona Patolina parecendo uma pata choca lá se foi paparicar a  bendita com xícara de café e bolo!
E pensei com meus botões!
Tem ciença nessa visita!
Tem ciença nesse aparecimento assim de supetão!
Aí tem coisa!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...