21 de maio de 2015

O Filhotinho de Sapo


E lá pelos meus 6 ou 7 anos, estava a caminho da escola quando me deparei com a seguinte situação:
Um coitadinho de um sapo que deveria estar saindo da sua infância de sapo em busca de alimento quando se viu frente a frente de um batalhão de meninos, cada um com uma pedra na mão.
E o meio filhote encurralado no pé de uma parede, sem ter para onde correr tinha o coração quase saindo pela boca.
Aquela situação me deixou revoltada. Pois aqueles fedelhos, não tinham a menor vergonha de querer trocar os seus juízos com um sapo, ainda mais um recém-saído da sua infância que de certo deveria ter a mãe para protege-lo e estava agora a vagar na busca pela sua sobrevivência.
Minha ideia naquele exato momento era pegar o sapo colocar dentro da bolsa, levar para casa. Mas o medo do sapo me morder era maior que a vontade de salva-lo do apedrejamento.
Então não tive outra escolha senão criar ali mesmo a mais deslavada das mentiras.
“Minha mãe falou que quem mata sapo morre ou atropelado ou enforcado. Está escrito nos livros das bruxas”. 
E só vi mesmo gente soltando a pedra no chão e sem exagero vi gente até passando a mão no pescoço para ver se estava tudo bem.
E o bebê sapo, que do mundo dos humanos não entendia patavinas nenhuma simplesmente olhou para mim e disse:
Cuidado viu?
Quem mente morre de fome.
Não acreditei no que ouvi! 
E por isso? perna pra que te quero? Fui pra escola e na volta chegando em casa, mal contive o susto.
O sapo estava no jardim da casa da minha mãe embaixo de uma arvore.
Para compensa-lo do susto meus colegas o trouxeram dentro de uma caixa de sapato e o entregaram ao meu irmão, dizendo: 
Quem cuida de sapo nunca morre e quando cresce fica rico. 
Minha mãe falou que toda pessoa rica cria um sapo em casa.
E assim foi. E o sapo viveu por muitos e muitos anos.


4 de dezembro de 2014

PRONTINHA PRA GUERRA


O tremendo reboliço que estava acontecendo na rua fez a dona Carlota acordar no meio da noite.
Afinou os ouvidos para entender o que estava acontecendo e por mais que tentasse não conseguia entender uma só palavra.
Mas, que diabos será isso? 
Vestiu a sua camisola, abriu a porta de fininho porque os tiros e as bombas até estremeciam as panelas penduradas acima da pia que ela fazia questão de exibir de tão limpas e polidas.
Saiu de porta a fora, descabelada e sem dente que mais parecia uma assombração.
E o alvoroço e a bala zinindo no meio da noite, quase que mata dona Carlota do coração.
Na pontinha do pé saiu com um pé na sandália e outro no sapato. Na correria nem viu esse detalhe. Abriu a porta. E foi escorregando de porta a fora até chegar na calçada.
Cadê o povo?  alias a multidão que fez com que ela acordasse e sair feito um zumbi?
Olhou pra um lado, olhou pra o outro, e na rua não existia uma alma viva para lhe contar o que aconteceu ali! Só o silencio, o vento e o clarão da lua cheia e aquela marmota no meio da rua, quer dizer ela.
Depois de levar o maior susto da sua vida que deixou o seu cabelo espetado parecendo palitos, outra bomba e tiros e mais tiros e eu sei lá se eram de balas de borracha, sei apenas que era o barulho da tevê do vizinho da Dona Carlota, ligada no volume máximo vendo um filme de bang bang, daqueles do velho oeste.
Correu pra dentro de casa fumaçando pra pegar uma vassoura e resolver essa questão na base da vassourada. Quando de repente sua filha acorda e encontra a mãe naquela situação pronta pra guerra. Tomou a vassoura e lentamente levou a Dona Carlota pra cama e não deu cinco minutos e estava ela roncando de tão profundo era o seu sono
No dia seguinte não lembrava de patavinas nenhuma, ou se lembrava não comentou. É que a dona Carlota era sonâmbula.
E via coisas que qualquer um duvida. Até eu mesma.
Autor: Maria de Lourdes

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14 de novembro de 2014

MEIA LÁ E MEIA CÁ. VOLTEI!


E dias vem e dias vão e nem bem o ano começou e já estamos nos preparando para 2015. 
Esperanças de novas conquistas é o que não falta, mesmo depois de umas férias prolongadas tiradas na marra. 
Bem que eu não estava querendo sair de jeito nenhum, porem só faltaram me colocar numa mala e despachar pra bem longe e só não fizeram isso porque realmente é impossível.
Cansaço, esgotamento físico e mental, noites e mais noites sem dormir, quem aguenta? Por acaso conhecem alguém que briga pra não ir dormir?
Experimente ficar sem dormir pra ver o que acontece! A primeira coisa é a tremedeira no corpo, depois vem a irritação e não existe um filho de Deus que suporte a sua pessoa. 
Aliás nem você mesmo se suporta! 
Depois vem dor aqui dor acolá e tome analgésico e nem mesmo o médico advinha o que você tem pois você disse tudo menos que odeia dormir!
E depois de muito lenga lenga, e zum zum zum no ouvido, tive que dar uma parada na marra como já disse.
É bem verdade que voltei meia esquisita, sem vontade de falar muito, será que estou com deprê? 
Era só o que me faltava!
A verdade é que estou proibida de ficar sem dormir, senão bate as botas e como não gosto da ideia é melhor obedecer mesmo que seja na marra! 
Quero só ver se vou ter inspiração dormindo sem querer!

E aqui estamos nós! Meia lá e meia cá, mas sem esquecer os amigos do coração!

15 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA: TÁ ASSINADO

Imagem Pixabay
Mas, espie mesmo! a besta velha sem futuro, da dona Patolina, fazendo o maior bico doce pra não ir a delegacia dar parte daquele piolho de cobra.
AH PATA CHOCA!
Meu Deus do ceu.
Grudou na cadeira e não tinha um filho de Deus quem fizesse ela sair dalí e tomar uma atitude.
A pata entravou! e nem com reza braba fazia ela sair do lugar, com história de entrego tudo a Deus.
Não queria fazer isso com a lacraia!
Misericordia!
Vá ser besta assim lá nos quinto!
E o frangolino incapaz, e revoltado foi na delegacia e fez a queixa.
E imagine só a cara da dona Patolina quando recebeu a intimação para comparecer na delegacia.
Duvido agora a sra não ir viu?
Se não for, vem o camburão lhe buscar.
E que coisa mais linda vai ser a sra dentro daquele carro cheinho de grade.
Vão pensar que a sra. é uma meliante!
Alem de pagar o pato ainda vai passar esse vexame?
O QUÊ?
Apois eu vou, disse ela!
Que eu sou é mulher
Tinindo e zinindo
Pois não é que foi mesmo a danada?
Contou
Confirmou e
Assinou com todas as provas na mão.
E assinou e está assinado!

Maria de Lourdes


14 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA: A BOMBA

Mas espie só!

A pata besta caiu direitinho no laço da jibóia, deixando a serpente entrar e sair de dentro de sua casa, sabendo direitinho até da hora que ela ia ao banheiro e com pratin de bolo pra aqui e pratin de pudim pra lá, pense numa amizade!
Pensou? eram as duas. Carne e unha. E a tonta da dona Patolina contando toda a sua vida desde o dia que nasceu.
É cada uma nesse mundo que contando ninguém acredita! 
Bem que avisei pra ela se dar ao respeito, não quis me ouvir. 
Só não digo bem feito porque não vou dizer mesmo.
E pra completar o seu rosário de bestice perdoou o frango, que chegou no dia seguinte se desmanchando em lágrimas de largatixa.
O Dr. Frangolino secou as pernas de andar pra lá e pra cá e não teve jeito e dona Patolina teve que pagar tostão por tostão, tim tim por tim tim sem faltar uma virgula. 
Só sei dizer que a surucucu deitou e rolou com o dinheiro da dona Patolina, que pelas vias normais não lhe devia um centavo furado.
E enquanto a dona Patolina se descabelava pra pagar o dinheiro da sua condenação aconteceu um fato.
Pense num fato!
Isso não é fato. É bomba mesmo!
Minha avó dizia que Deus não dorme!
Dona patolina recebe uma ligação de um cliente que foi atendido a mais de um ano atrás.
E o cliente soltando os cachorros na empresa da dona Patolina e até ameaçando a coitada de leva-la na delegacia.
Quando a atendente chegou com o recado a dona Patolina imediatamente tratou de resolver o assunto afirmando que ali não existia o tal cliente, que ele estava enganado, porque ali não existia documento nenhum que comprovasse aquela afirmação!
Como não? dizia o cliente soltando fogo pelas narinas.
Paguei e não me prestaram os serviços.
Liguei e reclamei tanto que desisti diante do pouco caso de vocês. Bando de irresponsáveis!
E foi quando dona Patolina pede pra ele enviar por email o contrato.
E não deu outra, era um contrato assinado pela Zumira.
Corri pra cozinha em busca do famoso copo de garapa com açúcar e outra vez tenho que beber aquele purgante! 
Porque a pata aprendendo a lidar com o mundo, nem ligou, não deu a mínima correu pro banco para se certificar se naquela data ou nas proximidades da citada data havia a confirmação de algum deposito daquele tão significante valor, que não era um valor qualquer. E nada. Não existia deposito nenhum.
Tem ciença por traz dessa reclamação, onde o cliente está solicitando o seu dinheiro de volta!
Tem ciença por trás desse contrato. 
Quer ver uma coisa?
A dona Patolina solicita ao cliente enviar a copia do cheque para ter certeza daquilo que seus miolos já imaginavam. Reembolsou o valor pago pelo cliente e recebeu a copia do cheque que estava lá nominal a Zumira e depositado em sua conta pessoal.
E diante do fato exclamou!
AH CONDENADA!

Maria de Lourdes





13 de agosto de 2014

E A PELEJA NEM EM SONHO TERMINOU



E peleja que se preza, tem um começo e um fim.
E essa ainda não terminou.
O mundo está cheio de reclamações. Cada um tem o seu direito de reclamar e a história da dona Patolina  é mais uma das milhões de reclamações que acontecem por dia. 
E já estamos até acostumados a viver com as orelhas em pé. 
Mas a história da dona Patolina não é simplesmente uma história, porque os caminhos dessas histórias são quase sempre os mesmos. Particularmente nunca ouvi falar que um advogado não comparecesse a uma audiência e deixasse o seu cliente sem o direito de defesa. 
E toda essa história tem uma finalidade: mostrar o quanto devemos ser mais atenciosos com tudo aquilo que nos diz respeito. 
O episódio narrado em forma de humor é pra quebrar o gelo porque como dizia minha avó:
Essas coisas acontecem. 
E a peleja nem em sonho terminou, tem muito mais e está rolando nos tribunais.
Mas vou continuar a contar.
Hoje faz frio danado e fiquei sem inspiração.

Maria de Lourdes

12 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA: O COPO D'AGUA



Saí correndo pra cozinha pra pegar o copo maior que tinha no armário, encher de água, colocar três colheres de açúcar bem cheias pra dar pra dona Patolina antes de entregar a bomba. Por sorte tinha lá um copo de requeijão, enchi de garapa até a borda.
Entrei na sala e dei meu grito de guerra!
Dona Patolina, tenho uma bomba pra lhe entregar!
Está doida sua alvoroçada sem um pingo de juízo, minha mão é lugar de depositar bomba?
Não, dona Patolina, a senhora não entendeu, a bomba é de papel pra sra. ler e por isso lhe trouxe uma garapa de açúcar pra beber antes.
E só lhe entrego depois que beber esse copo todinho!
Me dê esse negocio logo de uma vez, sou lá mulher de enfrentar bomba com garapa.
Beba você!
E eu bebo mesmo, pra sustentar a sra depois, porque a pena aqui vai avoar!
E pra meu espanto, tomou o papel da minha mão, abriu e leu todinho do pé a ponta, do começo ao fim sem ficar nem branca, nem roxa e nem amarela e sem soltar uma pena sequer e falou bem assim:
AH CONDENADA!
E foi aí que lhe indicaram o tal do Dr. Frangolino Non Non Comparecido! que lhe cobrou uma nota e de posse da papelada toda e levando consigo a bomba se foi.
E passaram-se os dias, e ninguém mais tocava naquele assunto, aguardavam o dia da famosa audiência que ficou marcada para sempre nos miolos da dona Patolina.
E semana vai e semana vem!
Por fim chegou o grande dia. O dia do preto no branco. Aliás um dia antes lá pelas 5:0 da tarde a dona Patolina manda o Patolino ligar para o Dr. Non Non para combinarem o encontro e a hora.
E como seu Patolino demorou cinco minutos, dona Patolina tomou o telefone da mão dele e disse: deixe meu angu que eu mexo sozinha visse.
Bem que o copo de garapa ia servir nessa hora!
-Olá dona Patolina! boa tarde! atendeu o frangolino.
-Como tem passado a sra?
-Nem bem nem mal respondeu a pata choca
-Dr. Non Non, estamos aguardando até agora que o sr. se manifeste no sentido de nos comunicar onde vamos nos encontrar, e a que horas.
-Dona Patolina, aguarde um pouco, vou consultar no computador e já retorno pra sra.
E em cinco minutos liga o frangolino com a seguinte resposta.
-Dona Patolina, pelo amor de Deus, comi bola!
Oxente, o senhor virou cachorro foi? Onde e quando foi?
-Dona Patolina, eu não sei onde anda meu juízo pois a audiência aconteceu a três dias atrás.
O que? Isso é coisa do senhor vir me dizer? Eu que não sou mulher de fugir de compromisso?
Como é que o senhor faz uma coisa dessas? Dona Patolina que nunca se viu em tamanha situação não sabia o que isso significava.
Aí seu Patolino ficou doido varrido! Como é que a dona Patolina iria engolir quando soubesse que a CONDENADA ali era ela?
Teria que pagar o que não devia pra Zumira, aquela caninana, cascavel de chocalho. E como se não bastasse, como a merda estava voado mesmo, surgiu o boato que a jararaca era acostumada a colocar todo mundo no pau e que a dona Patolina já era a sexta.
Mas, espie mesmo!
-Eu não disse pra senhora?
-Eu não avisei?
-Bem que eu disse!
Aquela jiboia de três olho só faltava engolir a senhora quando comprava um vestido novo! E a senhora mais besta que uma jumenta velha não via nada.
Acho que aqueles pratin de bolo que ela trazia pra senhora estava tudo enfeitiçado, porque se a senhora era besta ficou pior.
E agora? vai ter que trabalhar dobrado pra pagar a bonita!
E dona Patolina, calada estava e calada ficou. Ela não sabia ainda que não comparecendo estava assinando a própria sentença.
Mas, como não tinha apego material nenhum, iria pagar fosse quanto fosse sem reclamar.
E no outro dia bem cedinho o Dr. Non Non Comparecido aparece com a cara mais lambida do mundo pra dar uma satisfação da sua falta de ética e compromisso.

Maria de Lourdes

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...