20 de abril de 2014

O TRA-LA-LA DO POTE


Vejamos que aqui não estamos falando de um produto raro. Ou de um objeto de outro planeta ou de um utensilio que não conhecemos.
Estamos nos referindo, simplesmente a um pote.
Mas pra dar início ao tra-la-la do pote, vejamos que o pote pode ser de louça, de vidro, de barro, de cerâmica, de plástico, de porcelana e se brincar existem potes até de ouro. Pelo menos nas histórias da carochinha eles são de puro ouro e prata.

E se prestarmos atenção o pote tem uma magia, um encantamento um não sei o quê de atração que é coisa que não se explica. E mesmo se soubesse não diria porque é coisa de foro íntimo essa história de pote. E não creia que estou escrevendo bobagens não, porque alguém e também não sei quem foi, descobriu que pote atrai muita coisa, principalmente gente besta como eu que não pode ver um pote.

Coisas de Marketing? Não sei.

Alguém resolveu colocar um certo produto dentro de um pote, todo colorido, com tampas de toda a cor, cheio de florzinha. Resultado: Vendeu tudo, não ficou um. Só eu mesma comprei uns seis, um de cada cor. Agora o que tem dentro vou levar meses pra consumir, porque nem gosto muito, meu negócio mesmo é o pote.

Passados no caixa com todo o zelo do mundo para não riscar e não quebrar a tampa. Meu xodó esses potes, fora os que já tenho em casa.

Entrar no mercado e ver promoções de “ganhe um lindo pote” é comigo mesma. E para ter a plena certeza de que não estou despirocada, dou uma voltas no mercado e retorno ao ponto dos potes que por pouco não sobrou um único pra mim.

E o que existe de novidades em torno do pote, envolvendo o pote daria não somente um livro, mas uma biblioteca. É pote com tampa de crochê, é pote com tampa de biscuit, é pote com tampa de madeira, pintados à mão, foscos, vestidos de saia, de Papai Noel, de coelhinho da pascoa enfim não sei o que está faltando inventar com o pote. E quer ver uma promoção dar certo é só criar um belo pote e colocar o produto dentro.

Quer montar um negócio e não sabe o que? Use a imaginação e monte uma loja de potes. Eles são iguais aos sapatos. Possuem um público especial “as mulheres” entre elas eu que já não sei onde colocar tanto sapato e tanto pote.

18 de abril de 2014

CHICA CHATA DE CARA NOVA


O meu blog da chica chata retrata a pessoa que realmente fui as vezes cheia de nove horas e metida a besta. 
Mas era gente boa disso lembro muito bem. Adorava inventar moda. Não sei de onde tinha tantas ideias. Tempo ruim pra mim não existia, tudo era festa e alegria com as minhas fantasias a mil por hora.
Os dias passam, o tempo voa e tudo muda. Porque é assim que é a vida. Daqueles tempos felizes ficaram as lembranças que guardo para sempre. Da minha infância feliz e da minha família que sempre foi muito unida e ainda hoje ainda o é. Quando vejo certas cenas nos noticiários que chocam os nossos corações sinto imensamente porque sei o que é um pai e uma mãe presentes que amam os filhos de verdade.

O meu blog é isso. Histórias que se foram e que marcaram o meu caráter de hoje.
Esse video retrata a história da minha pequena cidadezinha do interior, da qual muito falo aqui no blog.
Colegio Padre Viana onde estudei quando criança, da Igreja onde fui batizada, e de um dos meus professores: Jose Teles, diretor do colegio Padre Viana e do Professor Macedo diretor do Colegio Estadual.
Fala tambem de Maria Alacoque que era a nossa professora de catecismo e que organizava a Festa Natalina e na época com cinco anos eu era um dos caboclinhos.
Histórias e raizes para não se esquecer jamais. Hoje já não é uma cidade pequena e vejo com tristeza que a violência não tem destino certo porque as pessoas estão se esquecendo que o unico meio de encontrar a paz é quando exercem o papel de amarem umas as outras.


20 de março de 2014

SIMBORA CUMPADE


Não sei quem é o autor dessa história, eu a ouvi no circo quando criança, e lembro até hoje e estou postando ao meu modo, mas o desenrolar do acontecido foi esse.

Dois amigos nascidos e criados lá pras bandas dos cafundós, tiveram a santa missão de serem alimentados unicamente com feijão.
Não conheciam as saborosas iguarias que adornam os pratos nas mesas desse mundão afora.
Então os dois, num cochichado danado de pé de orelha resolveram sair sem destino a procura de outras comidas que não fosse o feijão.
Pois sim. Chegando em uma bela cidade procuraram imediatamente o mais belo restaurante que existia e logo se acomodaram para serem servidos.
E logo chegou o garçom, impecavelmente vestido, com o cardápio na mão para que aqueles ávidos conhecedores da culinária mundial enchessem o bucho.
Mas, existia um problema. Nossos amigos não sabiam lê. E agora?
Restava apelar para o palpite da sorte. E assim decidiram:
-Cumpade, qual o seu número da sorte? O outro respondeu: o meu é 5
Então se o seu é 5 e o meu é 9
Vamos contar nos dedos. Cinco dedos de uma mão mais os dedos dos pés, tirando um dedo mindim fica 14
Vamos então contar nessa lista toda qual é a comida que vamos comer.
E minuciosamente contaram até chegar no prato que seria a desforra de nunca mais na vida comer feijão.
Eu não sei dizer a razão e nem o porquê. Sei somente que em instantes lá vem o garçom com uma bela de uma bandeja adornada de feijoada, quente e fervendo que de longe se via a fumaça.
Calados e de olhos arregalados e a barriga roncando de fome comeram tudo, afinal aquela feijoada era pra ninguém colocar defeito.
Bem ao lado da mesa haviam outros clientes, cada um saboreando as mais gostosas comidas. Podiam até não ser muito saborosas, mas que enchiam os olhos, isso eu garanto que sim.
Nossos amigos decidiram não sair dali sem provar daquela raridade e dessa vez não apelariam pra sorte não, porque foi tudo muito fácil. Os comensais chamaram o garçom e simplesmente pronunciaram o nome daquele banquete.
BIS!
E em alguns minutos estava posta a mesa com aquela paisagem, de dar agua na boca e molhar os beiço!
E foi assim que sucedeu:
Numa euforia de causar inveja a qualquer criança quando quer um sorvete chamaram o garçom e pediram BIS.
E dentro de alguns minutos, adivinhem quem estava pegando fogo nas lindas cumbucas, fumegando na bandeja de prata? A NOSSA CONHECIDA FEIJOADA.
Aí foi demais! Uma feijoada até que dava pra encarar, porem duas no mesmo dia a solução era sair e buscar outras paragens, no tô fora!
E resolvidos que estavam em comer outras iguarias diferentes, e que o feijão não se atrevesse em dar as caras embutidos em cumbucas não, porque se fosse pra comer feijão, eles sabiam onde:
EM CASA.
E saíram de estrada a fora quando viram uma festa. Eram comes e bebes de não acabar mais. A fartura ali corria solta, sem falar no cheiro das comidas que entravam de nariz a dentro deixando o estomago enfezado, com ares de querer sair pela boca ou pelo umbigo.
Ô compadre! Dessa vez nois come! Disseram:
E foram entrando de festa a dentro meio que encabulados, não vamos esquecer que nossos amigos eram tímidos.
Se achegaram, assim como quem quer e não quer nada e esperaram a vez de pegar também um belo prato de comida.
De repente, todo mundo para. Era hora de ver os noivos dançarem a música do casamento por se tratar ali de uma festa de enlace matrimonial.
Dançaram e dançaram.
E até que enfim terminaram a dança disse o compadre ao outro.
Mas alguém, que não sabemos quem até hoje, teve a infeliz ideia de gritar no meio do povo:
EU QUERO BIS
E nisso, os dois compadres, olharam um pro outro, colocaram o chapéu na cabeça, arregaçaram as calças e gritaram!

SIMBORA CUMPADE! SEBO NAS CANELAS QUE LÁ VEM FEIJÃO!

15 de março de 2014

LEMBRANÇAS

Imagem:
dicasdepele.blogspot.com
Sempre quando viajava pra minha cidadezinha do interior, gostava de visitar os sítios das comadres da minha mãe, só pra ouvir aquelas histórias que aconteciam no passado que me deixavam hora de queijo caído, hora de cabelo em pé, hora dando boas risadas.
Era um sossego de fazer inveja.
E a noite preta da cor de breu, como dizem por lá e um candeeiro lá no canto da sala para iluminar aquele cenário e virávamos a noite ouvindo histórias que o tempo registrou em cada canto daquela paragens.
Pense numa pessoa que gostava de ouvir histórias e essa pessoa era eu. E até conhecia netos de escravos que sabiam de cor e salteado episódios de não se esquecer nunca mais.
Terras e pedras testemunhas de gemidos de sofrimento e dor de um tempo que só Deus sabe explicar o porquê.
Visitava uma senhora com mais de 100 anos, segundo ela, que sentadinha em uma cadeira me recebia com um sorriso de felicidade que jamais vi em rosto nenhum. 
Com o seu velho cachimbo na boca, apagado por sinal, dizia que era pra não perder o costume e dava boas risadas.
Dona Maria, assim eu perguntava a senhora é feliz?
Ela respondia: Minha filha eu não tenho do que reclamar da vida não.
É difícil alguém ouvir uma frase igual a essas nos dias de hoje. 
Bom, mas voltando lá pra minha cidadezinha do interior, que não devia um centavo pra ninguém, a paz corria solta. Era tanta paz de dar sono na gente.
E lá no sitio onde eu era hóspede de primeira classe, era tratada a pão de ló. 
Levantava cedinho e aquele céu azul cheio de nuvens da cor de algodão, recebia os primeiros raios do sol aquecendo a mata que fazia exalar das laranjeiras, mangueiras, coqueiros, goiabeiras um cheiro que só a natureza sabe produzir. 
Na mesa, o café quentinho, leite tirado da vaca instantes atrás, fervido com uma nata que eu adorava passar no cuscuz feito de fubá de milho deixado de molho da noite pro dia e depois passado no moinho.
Depois, em companhia das minhas amigas ia passear pela mata, andava alguns quilômetros por uma estrada de terra vermelha depois chegava a um açude onde não arriscava sequer molhar os pés. Depois sentava embaixo dos tamarineiros carregados de tamarindos que eu adorava.
Ô vidão!
Os dias voam depressa e lá se vão as minhas férias e necessário é, retornar pra minha rotina.
E os anos também passam.
Passaram-se mais ou menos 28 anos!
Aquele mundo quase que sobrenatural parece não existir mais. 
As pessoas amigas já se foram, outras cada uma com os seus destinos não as encontrei mais, talvez como eu, buscaram outros ares, outros caminhos.
Não deixaria de retornar à aquele sitio, pelo menos para ver de longe, os lugares por onde andei e as lágrimas escorriam dos olhos, do coração e da alma de tanta saudade.
O casarão de paredes amarelas está intacto e muito bem cuidado como também as laranjeiras, as mangueiras, as goiabeiras e outras árvores inesquecíveis. 
Ali residem agora outras pessoas, não as conheço, apenas o lugar e as lembranças das pessoas hospitaleiras e amigas onde eu muitos dias passei ouvindo as mais belas histórias de um passado que sei foi e deixou raízes no coração da gente.

Maria de Lourdes

2 de março de 2014

CHICA CHATA INFORMA

É Carnaval, vamos cair na gandaia


Fantasia: Avental

Acessório: Balde


E samba no pé com a dona vassoura




28 de fevereiro de 2014

A VELHA A FIAR


Mesmo em meio a tantos desacertos que vemos e ouvimos pelo mundo a fora, existe um lugar para se sentir feliz.
Basta relembrar os tempos de criança e continuar acreditando que nesse mundo conturbado existem muitas razões para sorrir.

16 de fevereiro de 2014

A TELHA. 2ª PARTE


Pois é, se não estivesse tão tiririca da vida, até que teria dado boas risadas pelo fato de querer comprar telha para repor com uma foto. 
Isso se chama não entender mesmo de telhas e o que é pior, alem de não entender o marido também não entendia de bulhufas nenhuma! 
Me deu uma raiva!
Que eu saiba, marido é quem entende de telha. Pelo menos na casa do meu pai ele entendia de tudo. 
Mas voltemos aos fatos, porque estava com muita pressa com medo da chuva.
E foi bem assim que aconteceu. 
Um calor terrível com sensação térmica de 50°, transito intenso, o povo todo meio doido de tanto calor e eu correndo atrás de uma telha chamada de telha paulista, volto em casa e alguém tem que subir no telhado pra pegar a tal de telha. O pedreiro está viajando com destino a minha casa, logo logo ele chega e eu preciso está com as telhas. 
Estou parecendo uma doida e meia, não tiro o olho do céu pra ver se vai chover ou não, que agonia!
E voltando ao deposito e para minha surpresa, lá não tem a bendita telha. Até que tinha uma bem parecida que custava R$ 1,29. 
Exclamei aos quatro cantos da loja. Meu Deus que telha barata, pois é dessa mesma que vou comprar e não quero nem saber! Mas fui informada que não daria certo. 
Não desmaiei porque precisava ficar de pé. Mas o vendedor me indicou o deposito onde eu encontraria essa raridade e lá vamos nós com aquela preciosidade fedorenta a pó embrulhada a sete chaves primeiro em um jornal, depois em um pano, depois em um saco, depois na sacola.
E lá vamos nós, rumo ao endereço informado. Nunca vi tanta telha, só não existia mesmo as irmãs da raridade. Mas o vendedor foi bem otimista: “calma que nem tudo está perdido” e nos deu outro endereço onde encontraríamos aquela que estava me dando tanta dor de cabeça e lá chegando também não tinha. 
Até que tinha, disse ele, mas acabou e assim mesmo eram poucas. E lá vamos nós de novo rumo ao novo endereço que nos foi fornecido e nada.
Entrei em desespero, teria que trocar toda a telha da casa. Que absurdo, a chuva vai chegar e eu não resolvo esse problema.
Depois de rodar SP inteiro apareceu uma alma bendita que nos informou que seria fácil encontrar no museu das telhas. 
Essa é para aprender que lidar com telha e telhado exige conhecimento. Vá mandar um faz-tudo subir em cima da sua casa e verá o tamanho do problema que vai arrumar pra sua cabeça, porque a primeira coisa que ele vai fazer é pisar onde não deve e quebrar as benditas que protegem você e sua família do aguaceiro. Chegando ao museu que não é pequeno encontramos a raridade, mas tinha também mais um detalhe, precisava trazer a outra parte da telha senão não daria certo. Levamos somente a capa e faltava a tal da bica. 
Meu marido sofreu nesse dia, era pra tirar a telha completa e andamos por uns trinta depósitos só com a capa da telha achando que era a telha.
Meu Deus, essa foi demais! Teríamos que voltar para pegar a bica da telha ou a telha de nome bica.
Que situação hem? Rodei quase a cidade de SP inteira por causa de uma telha para aprender uma grande lição.
Por fim, resolvemos o problema. Agora sei que existe o museu das telhas onde se encontram verdadeiras relíquias. 
Descobri também telhas de mais de 200 anos e fabricadas pelos escravos. Muito me chamou atenção esse fato porque naquela época não existiam fôrmas para se fazer a telha. Elas eram fabricadas uma a uma e moldadas na coxa. Valeu todo o meu sacrifício, a minha mente embaralhada pelos acontecimentos dos últimos dias simplesmente viajou no tempo. Imaginei quantas cenas aquelas telhas presenciaram e na sua composição quanto suor daqueles que as confeccionaram.

Bom o meu drama de nome rio d'água proveniente de uma goteira mal cuidada graças a Deus chegou ao fim, o pedreiro consertou tudo, fez a reposição das telhas como manda o figurino e eu parei de olhar para o céu procurando nuvens carregadas de chuvas. Agora chove e eu estou feliz da vida. 


Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...