21 de maio de 2014

FESTA DOS CABOCLINHOS


Festa dos Caboclinhos

Era um tiquinho de gente, mas de uma vivacidade que acredito ser fora da época. 
Eu mesma cuidava do meu viver feliz. 
E se nas minhas lembranças existe uma pessoa que não posso esquecer é de Maria Alacoque. 
Foi minha professora que me ensinou a rezar o Pai Nosso e a Ave Maria. 
Acredito que todas as crianças daquela pequena cidade foram suas alunas de catecismo.
Lembro bem de uma música que ela nos ensinava. E gravei para sempre na minha memória.

"Mãezinha do céu
Eu não sei rezar
Só quero repetir
Quero de te amar
Azul é teu manto
Branco é teu véu
Eu quero ser tua
Ó mãezinha do céu!

Éramos de 20 a 30 meninas, cantando esse hino em coro que ao lembrar me faz chorar de saudade!
Saudade de coisas boas, de tempos bons, da nossa inocência, quando não conhecíamos o que era a maldade humana que vemos pelas ruas ou pelo mundo afora.
E Maria Alacoque, figura muito conhecida na cidade, era a organizadora das festas de fim de ano. Preparava o presépio que era verdadeira obra de arte. 
Acredito que além de professora era mestre na arte de decoração porque o seu presépio era comentado e visitado por muita gente que admirava aquela beleza.
Nos preparava para uma festa, onde eu não entendia nada, e só depois que cresci a curiosidade me fez retornar à aqueles tempos inesquecíveis e constatar que os costumes ali eram parte de uma cultura de povos e tempos que estão registrados nas memórias daqueles que preservam as lembranças.
As famílias preparavam os presépios em suas residências e a noite o cortejo de Maria Alacoque saia de cidade a fora composto pelos seguintes personagens.
Os índios, os caboclinhos, as ciganas, as pastorinhas, os beija flores, as borboletas, o pastor, os anjos, a estrela, o sol e a lua e os três reis magos com os presentes.
Eram as alunas (os) e ex alunas (os) do catecismo que faziam parte desse espetáculo, que atraia a cidade inteira. Saiamos cantando e dançando pelas ruas a fora e o cortejo de pessoas para visitar o presépio da residência que nos esperava.
Eu era um dos caboclinhos, vestida de short vermelho com elástico nas pernas e uma faixa também vermelha amarrada no busto, o rosto  e braços pintados e uma faixa na testa com penas coloridas que ela preparava. E cantávamos bem assim: acompanhando a Maria Alacoque, em uma só voz o nosso bem ensaiado canto:

Vão chegando os caboclinhos,
Na cidade de Belém,
Tão lindos e pequeninos,
Quanta beleza que tem!

Quem são vocês?
Caboclinho da aldeia
Para onde vão?
Vamos a Belém
Vão ver a quem?
Jesus nosso bem
Vão ver a quem?
Jesus nosso bem!

E ao chegarmos na residência onde estava o presépio a festa começava. Com o canto e a dança dos caboclinhos!
A dança das ciganas, com seus chocalhos nas mãos
A dança das pastoras,
A cantiga da estrela, que dizia "que era uma estrela brilhante que Jesus veio anunciar" 
A cantiga do sol e da lua que iluminavam a terra.
Um verdadeiro teatro ao ar livre que atraiam pessoas de todos os lugares.
E era lindo demais!
Como não sentir saudade de tudo isso?
E no dia 06 de janeiro dia de reis, fazíamos uma grande roda na calçada da Igreja em volta da fogueira feita com as palhas de coqueiro que ornamentavam os presépios.
Cantávamos assim:

Essas palhinhas 
Que estão se queimando
É da nossa lapinha
Que está se acabando

Adeus meu menino
Adeus meu amor
Até o próximo ano
Se vivo ainda for.

E a minha homenagem nessa postagem é a Maria Alacoque, que tanto nos ensinou e alegrou.
E onde estiver, deve está espalhando a sua alegria sadia. Essa que faz a gente lembrar e não esquecer nunca mais.
Maria Alacoque faz parte da história de uma comunidade, que trouxe a cultura de povos espalhados pelos cantos da terra, e somente através dela é que conheci esse espetáculo e muito me orgulho por tê-la conhecido.

Maria de Lourdes


20 de maio de 2014

Semente do Bem


A Semente do Bem

E lembrando daqui e dali voltei ao meu passado, não sei se todas as pessoas são ligadas às suas raízes, eu pelo menos sou muito ligada às minhas. Acho lindo tudo aquilo que passou, vivi e vi. Engraçado que parece que todas as pessoas que faziam parte da minha infância também carregam consigo um poço de saudades.


E quem vê esse casarão em ruínas, por onde muitas vezes, quando criança passei pelas calçadas, não sabe que dentro dessas paredes existiu uma bela e grande história.
Era o Casarão da  família Balbina Viana Arrais. Construído em 1907.
Segundo narra a escritora Marineusa Santana, que foi uma das minhas professoras, e narra no lançamento do seu livro o texto a seguir:



Boa noite aos componentes da mesa, aos amigos da Cultura, e a todos que nos prestigiam, com suas presenças. 
Quem em Brejo Santo pode dizer que não gozou ou não goza dos efeitos ou benefícios das obras realizadas por Balbina Lídia Viana Arrais - A MESTRA?
As suas iniciativas, as suas realizações, seus feitos estão presentes na nossa cultura até hoje, pela tradição oral ou escrita ou pela própria história da cidade.
Ela veio à Vila de Brejo dos Santos, a mando do governo, ensinar as primeiras letras, por um determinado espaço de tempo, pensaram alguns, principalmente por saberem ser ela esposa do Boticário Lydio Dias Pedrozo. Engano ! 
Deus é providente e não falha aos que nele confiam.
Aqui ela ensinou as primeiras letras às crianças, aos  adolescentes , às donas de casa, à luz do candeeiro à noitinha; ensinou a amizade, a solidariedade, o respeito, a partilha , o amor, ensinou a dignidade a muita gente, ensinou enfim o valor da vida , ensinou a viver, com o seu testemunho de vida.
Acolhida por Basílio Gomes da Silva iniciou na Taboqueira a missão desempenhada eficazmente até sua morte e soube tão bem transmitir à Filha, às netas, às  afilhadas,  as agregadas, às amigas a todos que tiveram a graça de com ela conviver.
Entre os alunos garimpava os diamantes brutos e encaminhava-os aos seminários ou em busca de uma profissionalização.
Seu temor a Deus era tamanho a ponto de não fechar as portas de sua casa para quem quer que fosse, nem para socorrer a  um cangaceiro agonizante.
O Casarão serviu de escola, Igreja, Casa paroquial, esteve sempre disponível a tudo e a todos.
Porém não houve nenhuma autoridade que se sensibilizasse e buscasse junto aos órgãos federais  uma ajuda a fim de que ele fosse tombado como Patrimônio histórico. Os universitários e os professores que tentaram fazer algo,não mereceram a atenção das nossas autoridades. Quantas vezes vi Madrinha Auristela sair à  procura de negociar a fim de poupar a demolição do casarão. Tudo em vão. O pior de tudo é que demoliram sem necessidade. Nada foi construído. Está lá apenas o muro das lamentações.
Não podemos esmorecer. Precisamos buscar parcerias com instituições, reedificar o casarão para um espaço cultural.
É louvável registrar os dados para a nossa história não se perder. Nossas novas gerações precisam saber da sua história; Mas ainda é tempo de lutar a favor da reconstrução do CASARÃO DO SABER, da Nascença e de outros projetos .
Obrigada aos familiares de D.Balbina que se fizeram presentes, a todos que contribuíram para a impressão do Livro, aos que compareceram ao evento e aos que se juntarão a nós na luta pela cultura..
Meus sinceros agradecimentos e Boa Noite.

Marineusa Santana

29/12/2007


A minha homenagem nessa postagem é para a Dona Balbina Viana Arrais, muito ouvi falar no seu nome, na grandeza da sua alma. A ela devo o fato de saber ler e escrever porque foi ela que plantou o alfabetismo naqueles tempos tão difíceis, ensinando à luz de candeeiro.
A minha homenagem também é para a Marineusa Santana, escritora e professora, pessoa extraordinária, culta, simples, amiga, solidária e que muito fez pela nossa cidade. Foi uma das minhas professoras. De longe sempre acompanhei o seu trabalho, lendo os seus textos e cronicas. Que Jesus abençoe esses anjos que fizeram parte de alguma forma do meu passado e lá no espaço infinito continuam plantando a Luz do Saber e do Entendimento.

19 de maio de 2014

CHICA E A CHATA


História da Chica e da Chata.

Como descrevi no inicio do blog, Chica era a costureira da minha mãe, verdadeira artista na arte da costura e Chata era eu que não saia do seu pé.
Na verdade peguei a Chica e a casa da Chica pra cristo, como diz o dito popular. Não tinha muito o que fazer alem de estudar e encher os patuás da minha heroína que era a Chica.
Se existia uma dúvida povoando a minha cabeça de minhoca, a Chica era o meu dicionário sentada em uma cadeira dia e noite costurando naquela máquina movida a pedal.
Aquilo pra mim era lindo demais, Chica quase da altura de uma porta e aquele pé comandando aquela máquina de onde saia os vestidos mais lindos do mundo. Aprendi a usar a fita métrica com a Chica e xereta do jeito que era tinha a mania de medir os ombros dos vestidos para ver se estavam iguais, e estavam mesmo certinhos. Era xereta até demais, mas no bom sentido, não era xeretamento de especular a vida dos outros, coisa que sempre detestei até hoje.
Mas no sentido de buscar respostas, estudando, pesquisando e perguntando.
Bom essa era a Chica, a dona da paciência e eu era a Chata pelo menos é o que diziam, que eu era uma pedra no sapato, ou purgante.
Defensora da Chica, e aí de quem não pagasse pra Chica e ai de quem enchesse muito o seu saco por causa de roupas pois eu que não tinha nem um metro valia por Chica que tinha dois.

Tempos bons aqueles, por mais que tenha vivido e experimentado o lado bom da vida jamais vou esquecer daqueles tempos da Chica.

Uma felicidade verdadeira. Acredito que na nossa memoria ficam armazenados para sempre as situações que vivemos quando criança. Não conheci o que era tristeza a não ser no dia que tive sarampo e catapora. Fora isso era só alegria o meu viver. Tinha um pai maravilhoso, uma mãe que era uma santa, uma Chica para encher o saco, e sete irmãos para eu mandar em todos eles se tivesse oportunidade.
Tinha uma porção de brinquedos, uma boneca de nome calunga e uns 10 bonequinhos que eram seus filhos.
Tinha a casa com os moveis azuis que eu brincava de vez em quando, não era muito chegada a brincar de casinha não, meu negocio era especular por que, onde foi e quando, e se me vissem concentrada brincando de bonecas era porque havia aprontado alguma e esperava somente o desfecho com a cara mais lambida do mundo.
Tinha a mania de escutar história e quando chegava uma visita eu já sabia de cor e salteado a velha e costumeira ordem: Já pra sala estudar, tá querendo escutar o quê? E na casa da Chica, tribuna daquelas alvoroçadas discutindo moda era meu palco predileto, lá eu sabia de tudo, isso quando não diziam olhando pra mim:
Cuidado! olha quem tá aí!

Maria de Lourdes

11 de maio de 2014

BIFE À MODA SOLA DE SAPATO


Bife sola de sapato, alguém conhece?

Sem quê e nem por quê, entrei nos guardados da minha mente e encontrei um título da hora para a minha postagem.
Bife à moda sola de sapato. A história do bife que não é lá essas coisas e vou avisando, pra ninguém criar expectativa achando que se trata de um best-seller e coisa e tal.

Pois bem, coloquei uma postagem no blog da empregada doméstica, como identificar a carne certa para o prato certo!
Foi um show a minha pesquisa, porque eu mesma tenho o costume de perguntar ao açougueiro que carne devo usar para determinado prato. 
Agora não pergunto mais. Basta ir na minha pesquisa e problema resolvido e acredito que muita gente, como eu não sabe a carne ideal para o prato ficar nos trinques.
Mas escreve daqui e escreve dacolá vão saindo cada uma da mente da gente que é pra matar um de vergonha. 
E isto aconteceu na primeira refeição que eu preparei no primeiro dia de dona de casa.

Parecendo uma fada madrinha, morta de feliz, vou pra cozinha, inaugurar meu fogão com arroz, feijão e bife.

Até hoje não sei explicar porque aquele bife ficou daquele jeito. Quis imitar os bifes que a minha mãe preparava e caí do cavalo.
Acontece que o bife, quando começou a esquentar na frigideira, parecia que estava com medo do óleo, encolheu e ficou como que na pontinha dos pés para não se queimar.

Passei um sufoco com aquele bife e a espátula na mão, empurrando-o no óleo quente pra ver se acertava e não tinha jeito.

Por fim resolvi virar o bife teimoso, pois ele teria que ser frito de qualquer jeito. Se não era de um lado era do outro. Que situação! Ficou pior. Parecia gato escaldado com medo de água fria, todo encolhido.

E para me safar daquela situação no primeiro dia de dona de casa, peguei o bife cortei em tirinhas e enchi o prato com tomates, cebolas e ovo cozido para enfeitar o bife traidor que ao contato com os legumes frios se encolheu mais ainda.

E se alguém conhece torresmo pururuca, é então a cara cagada e cuspida do meu bife. Ainda por cima frito demais e duro.

Comemos, sem dar uma palavra. O arroz, o feijão, os ovos cozidos, os tomates e as cebolas porque os bifes, mesmo que em tirinhas era de quebrar os dentes.

Foi quando meu marido falou: a carne desse açougue parece sola de sapato, não tem quem consiga comer. Essa aqui, cozinhando três dias, ainda fica dura. Mas, sabemos que o açougue nada tinha a ver com o caso. O negócio era a cozinheira pé de chinelo, que no caso era eu mesma.

Maria de Lourdes

20 de abril de 2014

O TRA-LA-LA DO POTE


Vejamos que aqui não estamos falando de um produto raro. Ou de um objeto de outro planeta ou de um utensilio que não conhecemos.
Estamos nos referindo, simplesmente a um pote.
Mas pra dar início ao tra-la-la do pote, vejamos que o pote pode ser de louça, de vidro, de barro, de cerâmica, de plástico, de porcelana e se brincar existem potes até de ouro. Pelo menos nas histórias da carochinha eles são de puro ouro e prata.

E se prestarmos atenção o pote tem uma magia, um encantamento um não sei o quê de atração que é coisa que não se explica. E mesmo se soubesse não diria porque é coisa de foro íntimo essa história de pote. E não creia que estou escrevendo bobagens não, porque alguém e também não sei quem foi, descobriu que pote atrai muita coisa, principalmente gente besta como eu que não pode ver um pote.

Coisas de Marketing? Não sei.

Alguém resolveu colocar um certo produto dentro de um pote, todo colorido, com tampas de toda a cor, cheio de florzinha. Resultado: Vendeu tudo, não ficou um. Só eu mesma comprei uns seis, um de cada cor. Agora o que tem dentro vou levar meses pra consumir, porque nem gosto muito, meu negócio mesmo é o pote.

Passados no caixa com todo o zelo do mundo para não riscar e não quebrar a tampa. Meu xodó esses potes, fora os que já tenho em casa.

Entrar no mercado e ver promoções de “ganhe um lindo pote” é comigo mesma. E para ter a plena certeza de que não estou despirocada, dou uma voltas no mercado e retorno ao ponto dos potes que por pouco não sobrou um único pra mim.

E o que existe de novidades em torno do pote, envolvendo o pote daria não somente um livro, mas uma biblioteca. É pote com tampa de crochê, é pote com tampa de biscuit, é pote com tampa de madeira, pintados à mão, foscos, vestidos de saia, de Papai Noel, de coelhinho da pascoa enfim não sei o que está faltando inventar com o pote. E quer ver uma promoção dar certo é só criar um belo pote e colocar o produto dentro.

Quer montar um negócio e não sabe o que? Use a imaginação e monte uma loja de potes. Eles são iguais aos sapatos. Possuem um público especial “as mulheres” entre elas eu que já não sei onde colocar tanto sapato e tanto pote.

18 de abril de 2014

CHICA CHATA DE CARA NOVA


O meu blog da chica chata retrata a pessoa que realmente fui as vezes cheia de nove horas e metida a besta. 
Mas era gente boa disso lembro muito bem. Adorava inventar moda. Não sei de onde tinha tantas ideias. Tempo ruim pra mim não existia, tudo era festa e alegria com as minhas fantasias a mil por hora.
Os dias passam, o tempo voa e tudo muda. Porque é assim que é a vida. Daqueles tempos felizes ficaram as lembranças que guardo para sempre. Da minha infância feliz e da minha família que sempre foi muito unida e ainda hoje ainda o é. Quando vejo certas cenas nos noticiários que chocam os nossos corações sinto imensamente porque sei o que é um pai e uma mãe presentes que amam os filhos de verdade.

O meu blog é isso. Histórias que se foram e que marcaram o meu caráter de hoje.
Esse video retrata a história da minha pequena cidadezinha do interior, da qual muito falo aqui no blog.
Colegio Padre Viana onde estudei quando criança, da Igreja onde fui batizada, e de um dos meus professores: Jose Teles, diretor do colegio Padre Viana e do Professor Macedo diretor do Colegio Estadual.
Fala tambem de Maria Alacoque que era a nossa professora de catecismo e que organizava a Festa Natalina e na época com cinco anos eu era um dos caboclinhos.
Histórias e raizes para não se esquecer jamais. Hoje já não é uma cidade pequena e vejo com tristeza que a violência não tem destino certo porque as pessoas estão se esquecendo que o unico meio de encontrar a paz é quando exercem o papel de amarem umas as outras.


20 de março de 2014

SIMBORA CUMPADE


Não sei quem é o autor dessa história, eu a ouvi no circo quando criança, e lembro até hoje e estou postando ao meu modo, mas o desenrolar do acontecido foi esse.

Dois amigos nascidos e criados lá pras bandas dos cafundós, tiveram a santa missão de serem alimentados unicamente com feijão.
Não conheciam as saborosas iguarias que adornam os pratos nas mesas desse mundão afora.
Então os dois, num cochichado danado de pé de orelha resolveram sair sem destino a procura de outras comidas que não fosse o feijão.
Pois sim. Chegando em uma bela cidade procuraram imediatamente o mais belo restaurante que existia e logo se acomodaram para serem servidos.
E logo chegou o garçom, impecavelmente vestido, com o cardápio na mão para que aqueles ávidos conhecedores da culinária mundial enchessem o bucho.
Mas, existia um problema. Nossos amigos não sabiam lê. E agora?
Restava apelar para o palpite da sorte. E assim decidiram:
-Cumpade, qual o seu número da sorte? O outro respondeu: o meu é 5
Então se o seu é 5 e o meu é 9
Vamos contar nos dedos. Cinco dedos de uma mão mais os dedos dos pés, tirando um dedo mindim fica 14
Vamos então contar nessa lista toda qual é a comida que vamos comer.
E minuciosamente contaram até chegar no prato que seria a desforra de nunca mais na vida comer feijão.
Eu não sei dizer a razão e nem o porquê. Sei somente que em instantes lá vem o garçom com uma bela de uma bandeja adornada de feijoada, quente e fervendo que de longe se via a fumaça.
Calados e de olhos arregalados e a barriga roncando de fome comeram tudo, afinal aquela feijoada era pra ninguém colocar defeito.
Bem ao lado da mesa haviam outros clientes, cada um saboreando as mais gostosas comidas. Podiam até não ser muito saborosas, mas que enchiam os olhos, isso eu garanto que sim.
Nossos amigos decidiram não sair dali sem provar daquela raridade e dessa vez não apelariam pra sorte não, porque foi tudo muito fácil. Os comensais chamaram o garçom e simplesmente pronunciaram o nome daquele banquete.
BIS!
E em alguns minutos estava posta a mesa com aquela paisagem, de dar agua na boca e molhar os beiço!
E foi assim que sucedeu:
Numa euforia de causar inveja a qualquer criança quando quer um sorvete chamaram o garçom e pediram BIS.
E dentro de alguns minutos, adivinhem quem estava pegando fogo nas lindas cumbucas, fumegando na bandeja de prata? A NOSSA CONHECIDA FEIJOADA.
Aí foi demais! Uma feijoada até que dava pra encarar, porem duas no mesmo dia a solução era sair e buscar outras paragens, no tô fora!
E resolvidos que estavam em comer outras iguarias diferentes, e que o feijão não se atrevesse em dar as caras embutidos em cumbucas não, porque se fosse pra comer feijão, eles sabiam onde:
EM CASA.
E saíram de estrada a fora quando viram uma festa. Eram comes e bebes de não acabar mais. A fartura ali corria solta, sem falar no cheiro das comidas que entravam de nariz a dentro deixando o estomago enfezado, com ares de querer sair pela boca ou pelo umbigo.
Ô compadre! Dessa vez nois come! Disseram:
E foram entrando de festa a dentro meio que encabulados, não vamos esquecer que nossos amigos eram tímidos.
Se achegaram, assim como quem quer e não quer nada e esperaram a vez de pegar também um belo prato de comida.
De repente, todo mundo para. Era hora de ver os noivos dançarem a música do casamento por se tratar ali de uma festa de enlace matrimonial.
Dançaram e dançaram.
E até que enfim terminaram a dança disse o compadre ao outro.
Mas alguém, que não sabemos quem até hoje, teve a infeliz ideia de gritar no meio do povo:
EU QUERO BIS
E nisso, os dois compadres, olharam um pro outro, colocaram o chapéu na cabeça, arregaçaram as calças e gritaram!

SIMBORA CUMPADE! SEBO NAS CANELAS QUE LÁ VEM FEIJÃO!

Foi nuns tempos lá pra traz Que olhamos para a lua Com olhar de quem morreu Você dizia ó lua linda Eu respondia, ela é somente sua Era...